Tia ciata

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HERANÇAS CULTURAIS AFRO-BRASILEIRAS, A PEQUENA ÁFRICA E O REDUTO DE TIA CIATA















RIO DE JANEIRO
NOVEMBRO - 2012


HERANÇAS CULTURAIS AFRO-BRASILEIRAS, A PEQUENA ÁFRICA E O REDUTO DE TIA CIATA



A mais famosa e mais influente de todas as “tias” baianas, Hilária Batista de Almeida, Tia Ciata , é relembrada em todos os relatosdo surgimento do samba carioca e dos ranchos, onde seu nome aparece gravado Siata, Ciata ou Assiata.
Nascida em Salvador em 1854 no dia de Santo Hilário, no mesmo dia que Hilário Jovino, razão pela qual se tratavam nas rodas de “xará”, é feita no santo ainda adolescente.
Muito moça, do namoro com um conterrâneo, Norberto da Rocha Guimarães, nasce sua primeira filha Isabel,provavelmente ainda em Salvador em meio às primeiras experiências da vida adulta, quando já conhecida por Ciata, apelido com que se celebrizaria mais tarde na colônia baiana do Rio de Janeiro. Em 1876, com 22 anos, chega ao Rio de Janeiro, indo morar inicialmente na rua General Câmara. Tempos depois, casou-se com João Batista da Silva, um negro bem-sucedido, com quem teve 14 filhos , e se muda porconveniência para as vizinhanças de um dos líderes da colônia baiana no Rio, Miguel Pequeno, marido de D. Amélia do Kitundi, na Rua da Alfândega, 304.
A seu espírito forte, Ciata aliaria uma crescente sabedoria de vida, um talento para a liderança e sólidos conhecimentos religiosos e culinários. Doceira, ela começa a trabalhar em casa e a vender nas ruas, primeiro na Sete de Setembro e depois naCarioca, sempre paramentada com suas roupas de baiana preceituosa, que nunca mais abandonaria depois de uma certa idade.


A RELIGIÃO E A CULINÁRIA

O candomblé trazido por IyáNassôIyáNassô e para o Brasil é, de uma forma, um culto novo, pois compensa as lacunas na cosmogonia nagô ocasionadas pela Escravatura com uma nova organização ritual, incorporando num só terreiro os cultos dasprincipais cidades iorubas, diversamente do que ocorria na África, onde eles se davam em templos separados. O terreiro toma a forma simbólica do próprio continente africano, os orixásdas cidades com seus assentamentos no barracão, enquanto as entidades do céu aberto são cultuadas em sua mata.
O próprio termo candomblé, só aqui teria o significado de culto, ou casa religiosa, e a forma acabadado Ilê IyáNassô, do Gantois, do Ilê Axé Apô Afonjá e dos outros terreiros tradicionais, se manteria como estrutura central das organizações religiosas negras no Brasil. Era na comida que ela expressava suas convicções religiosas, ou seja, a sua fé no candomblé. Religião proibida e perseguida naqueles tempos. Ia para o ponto de venda com sua roupa de baiana uma saia rodada e bem engomada, turbantee diversos colares (guias ou fio-de-contas) e pulseiras sempre na cor do orixá que iria homenagear. O tabuleiro era famoso e farto, repleto de bolos e manjares que faziam a alegria dos transeuntes de todas as classes sociais.


A PEQUENA ÁFRICA

Pequena África, como era conhecida a Praça Onze nesta época, tinha esse nome pois era o ponto de encontro de negros e ex-escravos. Na casa deTia Ciata, todos os finais de semana tinha pagodes, que eram festas dançantes, regadas a música da melhor qualidade e claro seus quitutes. Partideira reconhecida, cantava com autoridade respondendo aos refrões das festas, que se arrastavam por dias. Tia Ciata cuidava para que a comida estivesse sempre quente e saborosa e o samba nunca parasse. Foi em sua casa que se reuniram os maiorescompositores e malandros, como Donga, Sinhô e João da Baiana, para saraus. A hospitalidade dessas baianas fornecia a base para que os compositores pudessem desenvolver no Rio de Janeiro. A casa da Tia Ciata na Praça Onze era tradicional ponto de encontro de personagens do samba carioca, tanto que nos primeiros anos de desfile das escolas de samba, era "obrigatório" passar diante de sua casa.
O EPISÓDIO...
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