Terapia nutricional em queimados

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  • Publicado : 7 de julho de 2012
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Introdução


No presente trabalho, serão estudados os aspectos nutricionais envolvendo os pacientes que sofreram injúria térmica.
Para se estudar a fisiopatologia, as alterações metabólicas e as necessidades nutricionais dos pacientes queimados, é necessário, primeiramente, entender a resposta do organismo aos traumas de maneira geral.


1. Trauma


Entende-se comotrauma um evento agudo que altera a homeostase do organismo, desencadeando uma complexa resposta neuroendócrina e imunobiológica, cujos efeitos metabólicos e cardiorespiratórios tendem a preservar algumas funções fundamentais para manter em valores apropriados os seguintes parâmetros:
a) a volemia;
b) o débito cardíaco;
c) a oxigenação tecidual;
d) a oferta e utilização desubstratos energéticos (1).


Logo, o termo trauma não é usado apenas na definição de traumatismo acidental ou estado de choque, mas em sentido mais amplo (comparável àquele do termo anglo-saxônico injury). Esta definição envolve várias situações clínicas de diferentes natureza e etiologia como politrauma, intervenções cirúrgicas, sepse, queimadura, hemorragia, pancreatite aguda (1).1.2. Prevalência e mortalidade


O trauma, mais do que uma doença grave, tem sido considerado um sério problema social e comunitário. E, sem dúvida, constitui hoje um dos mais significativos problemas de saúde (2).
É a maior causa de morte em pessoas de 1 a 44 anos e a terceira causa de morte de pessoas de todas as idades, atrás apenas de doenças cardiovasculares e câncer (3).Enquanto a morte por afecção cardíaca ou câncer tira em média 10 a 15 anos de vida do cidadão, a decorrente do trauma chega a tirar 30 a 40 anos de uma vida altamente produtiva (2).
A urbanização acelerada, a queda do nível socioeconômico-cultural, a violência crescente, a negligência governamental e dos próprios países, o avanço tecnológico e a imaturidade física e psicológica das criançascontribuem para o aumento da incidência de traumas na faixa etária pediátrica (4).
Nos Estados Unidos, os traumatismos continuam sendo a causa mais importante de mortalidade e incapacidade em crianças após os primeiros meses de vida. Em São Paulo, as causas traumáticas são responsáveis por mais de 50% dos óbitos em crianças acima de cinco anos e ultrapassam os 75% nos pré-adolescentes eadolescentes (4).
A mortalidade no trauma é trimodal, e a morte pode ser imediata, mediata (ou precoce) e tardia. Cerca de 50% dos óbitos são classificados como mortes imediatas e ocorrem no local do acidente ou durante o transporte, enquanto 30% são mediatas e ocorrem durante a fase de reanimação ou na sala operatória. As restantes são tardias, geralmente após a primeira semana e – excluindoaquelas relacionadas à lesão do sistema nervoso central – são devidas à infecção ou sepse (2).


3. Resposta metabólica ao trauma


A resposta metabólica a doenças críticas, lesões traumáticas, sepse, queimaduras ou grandes cirurgias é complexa e envolve a maior parte da cadeia metabólica (3).
Os eventos são geralmente relacionados à severidade do trauma; isso é, quanto maiorfor a agressão, mais intensa será a resposta (5).
As primeiras observações da resposta do organismo ao trauma, realizadas por Sir David Cuthbertson na década de 1930 (5), já focalizavam a atenção nesta resposta, que seria uma adaptação metabólica do organismo. Sugeriu-se então, o conceito de uma resposta sistêmica, que envolvesse todos os tecidos metabolicamente ativos com interação entre osdiversos órgãos mediante troca de substâncias com ação reguladora (hormônios) ou nutritiva (substratos) (1).
Cuthbertson dividiu a resposta metabólica ao trauma em duas fases. A fase inicial é denominada ebb fase, a qual ocorre imediatamente após o trauma (3), de 12 a 24 horas (5). Esta fase caracteriza-se na luta pela sobrevivência (2), e é associada com hipovolemia, choque e hipóxia...
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