Teoria e metodo n analise de conjuntura

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Teoria e método na análise de conjuntura
Sebastião C. Velasco e Cruz *

RESUMO: O artigo versa sobre a lógica da análise de conjunturas
políticas. Constatando o fato de que, em contraste com o observado
na economia, a análise de conjuntura não constitui uma subárea
diferenciada de investigação no campo da Ciência Política, o artigo
traça um roteiro para a pesquisa e o ensino do tema,destacando
dimensões gerais, problemas típicos e soluções alternativas com
base no comentário de trabalhos representativos de autores clássicos
(Marx, Weber, Tocqueville) e contemporâneos.

Palavras-chave: Teoria, metodologia, conjunturas políticas
O texto que se segue foi preparado para servir de referência a uma
prova de aula em concurso de Livre docência. Isso se deu há vários anos.
Desdeentão, muitas vezes pensei em retomá-lo para explorar mais a fundo
os temas que ele aborda. Outros compromissos, outros interesses intelectuais,
pura falta de tempo – por esse ou aquele motivo, nunca cheguei a fazê-lo.
Considerando, porém, que talvez ele possa ter algum interesse para certa classe de leitor, resolvi tirá-lo da gaveta e divulgá-lo na forma em que veio
à luz. Com alteraçõesmínimas e alguns pequenos acréscimos, a versão presente
reproduz fielmente, em seu conteúdo e retórica, o texto original.
"Teoria e método na análise de conjuntura: 50 minutos para dissertar
sobre o tema".
Simples, não? Afinal de contas, análise de conjuntura é o que fazem
cotidianamente políticos, articulistas e cidadãos informados, como exigência
incontornável de suas atividades profissionais, ou– no caso destes últimos
*Docente do Departamento de Ciências Políticas, IFCH, Unicamp. E-mail: svelasco@uol.com.br

Educação & Sociedade, ano XXI, no 72, Agosto/00

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– como parte do processo de formação de juízos sobre ocorrências, proposições e/ou indivíduos, que não se reduzam a meras projeções da subjetividade de quem os expressa. Ler jornais, cultivar o saber sobre instituiçõese usos no país, acompanhar com relativa atenção os movimentos de algumas
personalidades públicas... nada muito complicado. Em caso de dificuldade,
podemos sempre buscar a receita em um manual de Ciência Política. Certo?
Errado. Pensar assim é desconhecer a enorme distância que medeia
entre o exercício de uma prática e a capacidade de explicitá-la, de enunciar os seus princípios subjacentes,esclarecê-la em seu alcance, suas implicações e seus pressupostos. Lembro-me de Michael Polany e da noção
de conhecimento tácito que ele explora no livro Personal Knowledge. Lembrome também de Durkheim e do momento segundo que representou em sua
obra a elaboração de As Regras do Método Sociológico, fruto de reflexão
sobre os supostos de uma atividade prévia de pesquisa da qual A Divisão
doTrabalho Social constitui a realização maior e mais ambiciosa.
Naturalmente, em relação à análise de conjuntura, não disponho de
nada remotamente parecido com as Regras do gigante Durkheim. E nem
deveria ser preciso. O que se pede é a demonstração de domínio da teoria e da metodologia pertinente a essa área de problemas. Mas é precisamente
aí que a dificuldade se ergue, quase intransponível:embora largamente praticada,
a análise de conjuntura não se configura como um subcampo diferenciado
e claramente reconhecido na Ciência Política, ou em sua prima, a Sociologia. Encontramos em ambas uma vasta e desigual literatura sobre crises,
revoluções e fenômenos correlatos. Ela nos permite distinguir modalidades
diferentes de conjunturas e, sobre algumas delas, oferece-nos modelos teóricosamplos e sofisticados - estou pensando, por exemplo, no livro de Michel Dobry,
La Sociologie des Crises Politiques, que pretende dar conta de um tipo particular
que ele denomina conjunturas fluidas1 . Sobre a análise de conjuntura em
geral, contudo, o silêncio impera.
No âmbito da economia não é assim. Desde a criação do Comitê de
Pesquisa Econômica da Universidade de Harvard, em 1917, e da...
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