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  • Publicado : 10 de abril de 2013
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ALEGORIA DA CAVERNA




Nas primeiras páginas do livro VII, da República, Platão expõe a alegoria da caverna, metáfora da condição humana e de sua concepção da filosofia. Trata-se da nossa natureza, conforme é ou não iluminada pela educação filosófica.
Devemos ter cuidado com esta alegoria. Ela pode ser perigosa. Temos a tendência de nos identificarmos com a parte final da alegoria, ouseja, a do homem que viu o sol e lamenta o infortúnio de seus antigos companheiros. Contudo, esquecemos que a parte final é o resultado de um longo e penoso processo. Somos vaidosos!
A alegoria da caverna pode ser dividida em três partes fundamentais.







PRIMEIRA PARTE
O MUNDO DE SOMBRAS E APARÊNCIAS

A primeira consiste ma descrição da cena inicial, a caracterização propriamente daimagem da caverna, a metáfora platônica da realidade sensível, do mundo em que vivemos. Esta é uma imagem muito forte e que terá um grande impacto em toda a nossa tradição. Na realidade, para os gregos da época, é uma imagem de grande poder evocativo, já que o mundo dos mortos (o hades) era caracterizado como uma morada subterrânea, nas “ entranhas da terra”.
Vamos analisar detidamente estaprimeira parte:
Os prisioneiros estão acorrentados e imóveis desde a infância, só podendo ver sombras. O texto indica que esses prisioneiros somos nós, prisioneiros de hábitos, preconceitos, costumes, práticas, que adquirimos desde a infância e que constituem condicionamentos que nos fazem ver as coisas de uma determinada maneira, parcial, limitada, incompleta, distorcida, como sombras.
As sombrasnão são falsas ou irreais, mas ilusórias, por serem realidades parciais, o mínimo que os prisioneiros podem enxergar da realidade. Acontece que eles não conseguem distinguir mais nada, a única realidade que conhecem, eles tratam como verdadeira, daí a ilusão.
Cabe aqui um comentário: temos discutido em nossas aulas da importância de uma visão crítica do direito. O que significa isto? Significaque não podemos tomar como a única realidade àquilo que está diante de nós. Seria o direito tecnicista formalista, estranho a qualquer consideração ética e valorativa, a única realidade possível e, portanto, a única verdade? A forma tendo mais importância que o conteúdo?
A descrição continua. Agora Platão fala do lado oposto da caverna onde se situa a fogueira. Esta fogueira é fonte de luz quese projetam às sombras. Alguns homens carregam objetos por cima do muro, semelhante a um teatro de fantoches, e são desses objetos as sombras projetadas no fundo da caverna e as vozes desses homens são interpretadas como as vozes das sombras. Temos aqui descrição de uma sala de cinema em que olhamos para a tela e não prestamos atenção no projetor de imagem e nem nas caixas de som. Identificamos osom como oriundos das figuras na tela. Esses homens, no outro lado da caverna, segundo interpretações, são os sofistas e políticos atenienses que manipulam as opiniões dos homens comuns e são produtores de ilusão.
A altura do muro separa a ilusão da fábrica de ilusões. Existe uma fábrica de ilusões que fabrica uma realidade, uma visão distorcida. Pode significar a mídia em sua versão dos fatos,pode significar uma doutrina religiosa ou jurídica. O muro separa duas classes: a classe dos senhores e a classe dos escravos.
Aqui também cabe uma reflexão. Viver na caverna significa viver na ingenuidade onde somos facilmente enganados pelas imagens e manipulados pelas vozes. Daí, a necessidade da filosofia, mas de uma filosofia que liberta. Há um grande impasse: ficar e sermos enganados ousair e sofrermos o doloroso processo de libertação.




SEGUNDA PARTE
O PROCESSO DE LIBERTAÇÃO – DIALÉTICA ASCENDENTE

A segunda parte trata do impasse, o processo de libertação de um prisioneiro. Esta é uma possibilidade estranha, pois é um processo difícil e até mesmo doloroso. Mas neste trecho há uma aparente contradição entre o libertar-se e o ser forçado a levantar-se. Na verdade o...
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