Teoria politica

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Teoria Política

A teoria política feita como um conselho eminentemente prático ao chefe de Estado se desenvolveu conjuntamente à teoria política moderna. Em grande medida isso se deu devido à importância que o “príncipe”, o “soberano” ou “chefe de Estado” adquiriu historicamente, de modo que tornou-se mais relevante considerar o seu papel para a compreensão da organização social. Na épocamoderna, a teoria predominante abandonou a busca pela justiça ou pelo melhor governo e passou a se interessar, sobretudo, pela conservação do Estado. Para uma teoria que busca a utilidade em primeiro lugar, o conselho ao soberano é mais produtivo que ao povo. A questão aqui é que o conhecimento que busca um fim prático – de conservação do Estado – se sobrepôs ao conhecimento intelectual eepistemológico da busca pela justiça, ou, na linguagem da teoria política moderna, a prudência prevaleceu sobre a sabedoria. Em Kant, ainda que a manutenção do Estado não se constitua como elemento central da teoria, há uma compreensão de que o Estado deve agir com vista aos fins práticos .
Assim, o conselho, que se configura como uma sugestão para a ação e não para a contemplação, pôde se estabelecer nateoria devido a essas considerações práticas que ela passou a realizar. É certo que os conselhos, para qualquer um dos autores analisados, não podem vir de qualquer um, já que ao príncipe se diz: “(...) quando qualquer um puder dizer-te a verdade, te faltará ao respeito devido” (Maquiavel, 2002,162). “Eles devem partir dos “homens sábios” escolhidos pelo Príncipe, segundo Maquiavel; daqueles a quemo soberano deu o direito de lhe falar, segundo Hobbes; ou dos “eruditos” que podem fazer o uso público da razão.” “para o grande público do mundo letrado”, conforme Kant (“O que é Iluminismo?”, 1990. p.13). Homens de pensamento coerente, como se vê, ainda mais quando notamos que a prática que se visualiza em seus conselhos ao soberano está também presente em suas preocupações com suas pessoas.
Abusca de Kant era pelo que é prático. Por problemático que possa parecer essa afirmação ela se embasa, por exemplo, na consideração que o autor faz no texto “A Paz Perpétua” , de que a “monarquia universal” seria o modo mais seguro de se chegar à Paz, mas, como essa consideração não permite estabelecer um fim a ser perseguido, ela não pode ser prática, e, logo, o projeto de Paz Perpétua deve sebasear na possibilidade de uma “federação expansiva”, algo que pode ser realizado na experiência. Afinal, o dever só pode ocorrer relativamente ao que pode se tornar empírico; ou seja, o dever só obriga ao que é prático. Além disso, na introdução do texto, Kant expõe que o Estado “deve antes basear-se em princípios empíricos”. Caso se considere – do que discordo – que esse último exemplo temobjetivo histórico – de evitar a perseguição – e não teórico, continua válido o exemplo anterior.
Kant no texto “Resposta à pergunta: O que é o Iluminismo” diferencia o uso da razão em público e privado, dizendo que há liberdade para utilizá-la de modo legítimo apenas quando esse uso for público. A razão privada seria aquela que visa a uma vantagem ou interesse particular, enquanto que a públicaalmeja o bem comum e pode ser apreciada pela erudição de qualquer um em qualquer lugar. É uma liberdade elitista, sobretudo se levamos em conta que saber ler era uma capacidade muito menos disseminada do que hoje e aqueles que não o sabiam, segundo o argumento, não podem fazer uso público da razão e, portanto,não têm liberdade de expressão. Maquiavel, Hobbes e Kant, todos lançaram argumentos dosmotivos pelos quais não se pode punir aquele que aconselha.
Da teoria política atual sabe-se bem sua preocupação com a eficácia.
Ora, quando falamos de eficácia nos referimos necessariamente a um fim eficaz para quê? O fim ainda é o mesmo: conservação do Estado. Desde o início da Idade Moderna, então, a questão acerca do objeto, da função e da definição da teoria política parece não ter sido mais...
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