Teoria da historia

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Escolas Históricas – discussão de um conceito a partir de dois exemplos principais: a “Escola Histórica Alemã” e a “Escola dos Annales”

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ESCOLAS HISTÓRICAS – DISCUSSÃO DE UM CONCEITO A PARTIR DE DOIS EXEMPLOS PRINCIPAIS: A “ESCOLA HISTÓRICA ALEMÔ E A “ESCOLA DOS ANNALES”
José D’Assunção Barros*

Resumo: Este artigo tem por objetivo conduzir uma discussão inicial acerca da noção de“Escola” nos estudos historiográficos. Ao lado desta discussão, o conceito de “paradigma” também é analisado, incluindo as possibilidades de interação deste conceito com a noção de “escola histórica”. Depois desta parte inicial, são desenvolvidas algumas considerações em torno de dois movimentos que podem ser denominados “escolas” na historiografia: a Escola Histórica Alemã, do século XIX, e a Escolados Annales, na França do século XX. Os casos examinados interessam precisamente para a abordagem de alguns problemas relacionados ao conceito de “escola histórica”. Palavras-chave: Escola Histórica; Paradigma; Historiografia. Abstract: This article aims to conduct an initial discussion about the notion of “Scholl” in the Historiography studies. Besides this discussion, the concept of “paradigm” isalso analyzed, including the possibilities of interaction of this concept with the notion of “historiography school”. After this initial part, they are developed some considerations around to movements that can be called schools in the Historiography: the German Historic School of the nineteenth century, and the “Annales School”, in French of twenty century. The cases examined are interestingprecisely to approach some problems related to the concept of “historiography school”. Key-words: Historic School; Paradigm; Historiography.

* Professor-adjunto da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), nos cursos de graduação e pós-graduação em História; professor-colaborador do Programa da Pós-Graduação em História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Doutorem História pela Universidade Federal Fluminense (UFF). E-mail: jose.assun@globo.com

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Revista Esboços, Florianópolis, v. 17, n. 24, p. 7-36, dez. 2010

ESCOLA E PARADIGMA: DOIS CONCEITOS A SEREM DISCUTIDOS Uma “Escola” – fora a noção mais vulgar que se refere exclusivamente a instituições de Ensino – pode ser entendida no sentido de uma “corrente de pensamento”, sempre que ocorre umpadrão ou programa mínimo perceptível no trabalho de grupo formado por um número significativo de praticantes de determinada atividade ou de produtores de certo tipo de conhecimento, sendo ainda importante que haja uma certa intercomunicação entre estes praticantes, a constituição de uma identidade em comum, frequentemente também ocorrendo a consolidação de meios para a difusão das ideias do grupo,como é o caso de Revistas especializadas controladas por seus membros ou programas veiculados em mídias diversas. Será importante entender ainda que as “escolas” podem apresentar uma referência sincrônica – relacionada a autores ou praticantes de uma mesma época – e uma referência diacrônica, no sentido de que a “Escola” pode se estender no tempo e abarcar sucessivas gerações, ou ser por elasreivindicada. A Historiografia, no decorrer de sua própria história, conheceu muitas “escolas históricas”. Algumas eram entendidas como “escolas” pelos seus próprios praticantes, outras foram classificadas como escolas independentemente de seus componentes. Uma boa parte das “escolas históricas” até hoje conhecidas relacionaram-se a espacialidades específicas, não raro se referindo a países a quepertenciam os historiadores que nela se viram incluídos. É assim que, no século XVIII, conhecemos a “Escola Escocesa”, que se referia a eruditos iluministas atuantes na Escócia como Adam Fergusson, John Millar ou David Hume. No século XIX, podemos lembrar a “Escola Alemã”, que reunia historiadores alemães ligados ao paradigma historicista, e no século XX podemos falar em uma “Escola Marxista...
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