Teoria curriculo

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Bobbitt, John Franklin (2004) O Currículo. Porto: Didáctica Editora.
268 pps. ISBN – 972 – 650 – 662 – X

Recensão João M. Paraskeva Universidade do Minho – Portugal
3 de agosto de 2005 Uma Abordagem Simplista para um Fenómeno Complexo1 Volvidos cerca de um século, “O Currículo” de John Franklin Bobbitt encontra-se agora ao dispor da comunidade de educadores e educadoras em Português. É noentanto quanto a nós uma obra que deve ser lida não apenas pelos educadores e educadoras mas sim por todos aqueles que de uma ou de outra forma se preocupam com as questões educativas, em geral e curriculares, em particular. Uma recensão crítica a esta importante obra impunha-se por algumas maiorias de razão. Em primeiro lugar, e pese embora as limitações de espaço, este texto introdutório críticotem como escopo providenciar o contexto político, económico, cultural, educacional e curricular no qual se situava Bobbitt - e será sempre nesse contexto que a sua obra deverá ser lida, analisada, debatida e refutada ou não. Em segundo lugar, e na sequência da intenção acima confessada, este pequeno intróito crítico pretende cumprir com um outro propósito: contrariar prováveis noções que entregam aBobbitt ‘a’ posição pioneira no campo e emprestar ferramentas que permitam aos leitores e leitoras ler a verdadeira maternidade sócio política dos finais do século XIX e inícios do século XX, maternidade essa que, simultaneamente, dá origem aos contributos, não só de Bobbitt, como também de muitos outros curriculistas. Finalmente, este texto crítico introdutório pretende ainda cativar leitores eleitoras para a importância da leitura de uma obra que, não só deu visibilidade - não contudo sem

Bobbitt: O Currículo

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resistências - “à metáfora da escola como uma fábrica e do currículo como processo de produção, em que as crianças eram vistas como ‘matérias primas’ e os professores como controladores do processo de produção, assegurando que os ‘produtos’ eram construídos de acordocom as especificações meticulosamente traçadas e com o mínimo de desperdício2, como também permite ainda compreender verdadeira raiz de muitas das teorias e práticas curriculares que se foram impondo como hegemónicas ao longo de todo o século XX e que provavelmente se encontram mais poderosas do que outrora neste dealbar do novo milénio, onde as políticas sociais neoliberais parecem continuarapostadas em não fornecer nenhuma outra alternativa à escolarização que não seja o da assunção dos modelos do mercado. O Primado da Eficiência pela Educaçâo Vocacional O século XX amanhece nos Estados Unidos da América pelos ritmos, compassos e tonalidades impostas pela multiplicação das transformações no tecido social, - iniciadas já nas últimas décadas do século XIX -, transformações estas motivadaspor um novo industrialismo, [e consequentemente novas dinâmicas de exploração capitalista], que transportava consigo “não apenas uma mera transformação nos arranjos económicos dos Estados Unidos e suas instituições económicas, [como também] precipitou uma crise moral”3, determinando desta forma uma nova ordem económica que exigia “profundas alterações entre trabalhadores, entre os gestores e ostrabalhadores, entre os trabalhadores e os seu local de trabalho e entre os trabalhadores e o trabalho”4, contribuindo ainda para o forjar de uma “nova identidade nacional ‘Americana’”5. De acordo com Pulliam, “a expansão e o crescimento industrial, da agricultura e da população colocavam, de uma forma cada vez mais acentuada, exigências nas escolas, exigindo ainda não só a construção de novasescolas, como também uma nova concepção de sistema educativo”6, ou seja, “a sociedade exige muito mais das escolas, como aliás nunca o fizera”7. Assim, e em resposta às mudanças que se sucediam a um ritmo avassalador, começa a consolidar-se a consciência em torno da necessidade de um movimento de formação a nível nacional que, diga-se em abono da verdade, começara já a despertar por alturas de 1876,...
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