Tensões e distensões familiares nas patologias da aprendizagem

Páginas: 11 (2715 palavras) Publicado: 8 de novembro de 2011
TENSÕES E DISTENSÕES FAMILIARES NAS PATOLOGIAS DA APRENDIZAGEM

Quézia Bombonatto

Percebe-se, cada vez mais, as inter-relações entre os comportamentos fora do esperado na aprendizagem de crianças e jovens, com o contexto familiar e suas dinâmicas. A base do desenvolvimento e da construção da aprendizagem está tanto na relação que se estabelece com o outro, como nas capacidades e nasmotivações para aprender, o que supõe uma adaptação individualizada de objetivos, conteúdos, métodos de ensino e organização que favorecem suas próprias necessidades de aprendizagem.
Parte-se da compreensão de que aprendizagem é um processo que se efetua a partir de determinadas estruturas cognitivo-afetivas, as quais se modificam em contato com o meio externo provocando transformações, num constanteintercâmbio entre quem aprende e o meio que está inserido. Ao falar em patologias da aprendizagem, faz-se referência às crianças e adolescentes que apresentam problemas localizados nos campos da conduta e do cognitivo.
Devido ao fato deste conceito apresentar diversos enfoques teóricos, é necessário esclarecer que aquilo que está sendo aqui considerado como patologia da aprendizagem, engloba todasas sintomatologias apresentadas como manifestações decorrentes de conceitos descritos como: dificuldades de aprendizagem, distúrbios ou transtornos de aprendizagem, necessidades educativas especiais, não adaptação às condições socioambientais, e outros correlatos.
As variáveis que interferem nas patologias da aprendizagem podem ser variáveis intrapessoais (cognitivas,emocionais, modalidades de aprendizagem) e variáveis interpessoais (condições socioculturais, metodologia didática). Podem se manifestar como: dispraxias (alteração das funções motoras, dificuldade de coordenação, dificuldades viso-espaciais, disgrafia, dificuldade na conservação da quantidade, sequencialização e ordenação de fatos, inversão de números, reiterados erros de cálculo, sistema de numeração,sistema de medidas), disgnosias (alteração na função semiótica ligado à linguagem, dificuldade de ligar significante a significado, para reconhecer, representar nomear objetos, dificuldades na alfabetização, disortografias, linguagem pouco clara; sintaxe mal elaborada, má organização do discurso, vocabulário pobre, dificuldades de leitura e escrita, falta de interesse por coisas que não sejamconcretas, dificuldades de resolução de problemas), discronias (alterações em relação às noções de tempo, dificuldades rítmicas, hiperatividade ou hipoatividade, baixo nível de concentração, dispersão, dificuldades de memorização) ou ainda problemas de conduta (comportamento instável interferindo nos vínculos, infantilização, imaturidade, pouca habilidade social, inibição, agressividade, baixaauto-estima) e outros.
Desde bem cedo, os pais se inquietam com a capacidade intelectual de seus filhos e suas possibilidades de sucesso, colocando-lhes o quanto se espera que sejam bem sucedidos. Quando a criança não corresponde a essas expectativas, aparece o chamado sintoma, que pode ser definido como uma mensagem que emerge em determinada circunstância com a função de demonstrar que algonão está bem e que precisa de ajuda
Diante de um baixo desempenho acadêmico possível, os pais, em busca de ajuda, procuram os professores ou orientadores na escola que os encaminham a especialistas com o objetivo de elucidar a causa de tais dificuldades. Assim, a questão fica, inicialmente, centrada em quem aprende, ou melhor, em quem não aprende. Diferente de estar comdificuldade, a criança manifesta dificuldades, revelando uma situação mais ampla, na qual se inscrevem tanto a escola como a família, pois ambas são parceiras no processo da aprendizagem. Portanto, analisar a dificuldade de aprender inclui, necessariamente, observar e entender os processos que levam à efetivação de uma aprendizagem significativa.
Neste contexto, as narrativas tanto das famílias...
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