Tendência progressista libertária

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1. Papel da Escola
A pedagogia libertária espera que a escola exerça uma transformação na personalidade dos alunos num sentido libertário e de autogestão. A ideia básica é introduzir modificações institucionais, a partir dos níveis subalternos que, em seguida, vão "contaminando" todo o sistema. A escola introduzirá, com base na participação grupal, mecanismos institucionais de mudança(assembleias, conselhos, eleições, reuniões, as¬sociações etc.), de tal forma que o aluno, uma vez atuando nas instituições "externas", leve para lá tudo o que aprendeu. Outra forma de atuação da pedagogia libertária é: o aproveitamento da margem de liberdade do sistema, criar grupos de pessoas com princípios educativos e autoconfiança (associações, grupos informais, escolas autênticas). Há, portanto, umsentido expressamente político, à medida que se afirma o indivíduo como produto do social e que o desenvolvimento individual somente se realiza no coletivo. A autogestão é o conteúdo e o método, resume tanto o objetivo pedagógico quanto o político. A pedagogia libertária, na sua modalidade mais conhecida entre nós, a "pedagogia ins¬titucional", pretende ser uma forma de resistência contra aburocracia como instrumento da ação dominadora do Estado, que tudo controla (professores, programas, provas etc.), retirando a autonomia.

2. Conteúdos
As matérias são colocadas à disposição do aluno, mas não são exigidas. É um instrumento a mais, pois importante é o conhecimento que resulta das experiências vividas pelo grupo, espe¬cialmente a vivência de mecanismos de participação crítica."Conhecimento" aqui não é a investigação cognitiva do real, para extrair dele um sistema de representações mentais, existe a necessidade da descoberta das respostas às exigências da vida social. Assim, os conteúdos propriamente ditos são os que resultam de necessidades e interesses manifestos pelo grupo e que não são, necessária e indispensavelmente, as matérias de estudo.

3. Métodos
É na vivênciagrupal, na forma de autogestão, que os alunos buscarão encontrar as bases mais satisfatórias de sua própria "instituição", graças à sua própria iniciativa e sem qualquer forma de poder. Trata-se de "colocar nas mãos dos alunos tudo o que for possível: o conjunto da vida, as atividades e a organização do trabalho no interior da escola (menos a elaboração dos programas e a decisão dos exames que nãode¬pendem nem dos docentes, nem dos alunos)". Os alunos têm liberdade de trabalhar ou não, ficando o interesse pedagógico na dependência de suas necessidades ou das do grupo. O progresso da autonomia exclui qualquer direção de fora do grupo, se dá num "desenvolvendo": primeiramente a oportunidade de contatos, aber¬turas, relações informais entre os alunos, em seguida, o grupo começa a se organizar, demodo que todos possam participar de discussões, cooperativas, assembleias, isto é, diversas formas de participação e expressão pela palavra (quem quiser fazer outra coisa, ou entra em acordo com o grupo, ou se retira). No terceiro momento, o grupo se organiza de forma mais efetiva e, finalmente, no quarto momento, parte para a execução do trabalho.

4. Relação professor-aluno
A pedagogiainstitucional visa, em primeiro lugar, transformar a relação professor-aluno no sentido de abusar da autoridade, isto é, considerar desde o início a ineficácia e a nocividade de todos os métodos à base de obrigações e ameaças. Embora professor e aluno sejam desiguais e diferentes, nada impede que o professor se ponha a serviço do aluno, sem impor suas concepções e ideias, sem transformar o aluno em“objeto". O professor é um orientador e um catalisador, ele se mistura ao grupo para uma reflexão em comum. Se os alunos são livres frente ao professor, também este o é em relação aos alunos (ele pode, por exemplo, recusar-se a responder uma pergunta, permanecendo em silêncio). Entretanto, essa liberdade de decisão tem um sentido bastante claro: se um aluno resolve não participar, o faz, pois, não...
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