Tempos modernos de charles chaplin

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  • Publicado : 18 de março de 2013
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Introdução

Este trabalho visa fazer uma breve análise a respeito do tratamento que se dá ao Corpo (dos paradigmas e idéias que surgem em relação à disciplina corporal), a partir das relações (de trabalho, principalmente) estabelecidas com o advento da industrialização (século XIX e XX). A base escolhida para este trabalho foi o filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, que irá nos auxiliara trilharmos a nossa linha de raciocínio, com imagens que traduzem e inspiram nossa reflexão.

Sinopse do filme

Operário, exasperado pela rotina do trabalho mecânico, tumultua a fábrica; é despedido e procura sobreviver em meio aos conflitos da metrópole moderna. Resiste às adversidades, apaixona-se por uma órfã e defende os humildes.

Tempos Modernos foi produzido no ano de 1936 e seconstitui em uma das mais expressivas críticas que o cinema promoveu, tendo como tema central a Sociedade Industrial Capitalista.


Breve análise das questões abordadas no filme

O filme inicia mostrando ao fundo um grande relógio, o símbolo maior dos Tempos Modernos. “Time is money”, é um dos principais lemas do capitalismo.
Logo no início do filme vemos um rebanho de gado-gente, correndodesesperado para o abatedouro-fábrica. Chaplin não esconde sua visão da bestialidade humana. Gente que se submete a viver amontoada, sem propósito, como gado domesticado. Mais do que o capitalismo, critica profundamente a sociedade industrial, seu ritmo alucinante, a falta de qualidade de vida e seus propósitos irracionais. Evidencia que a velocidade da máquina não pode ser a velocidade do ser humano,sob pena de não termos mais seres humanos, apenas bestas humanas.
O relógio, as pessoas caminhando como gado, já seriam elementos suficientes para analisarmos com mais consciência o sistema de vida proporcionado pela visão industrial-capitalista. Mas, ele aprofunda ainda mais esta sua crítica ao abordar, com detalhes, a questão da linha de montagem e suas seqüelas desastrosas na psique humana. Oesforço humano em trabalhar como um relógio, dentro de um sistema de repetição mecânica, contínua e cronometrada, acaba por levar a pessoa a ficar com sérios problemas neurológicos e psicológicos. Os mais fortes acabam sobrevivendo como se fossem máquinas, em um cotidiano sem esperança, criatividade ou alegria, onde a única atividade é a repetição de um par de gestos mecânicos simples.

Um dospontos cruciais da obra-prima de Chaplin diz respeito à questão do consumo e a expectativa que a sociedade industrial traz para as pessoas quanto à posse do maior número possível de gêneros. Carlitos e sua namorada, quando entram em uma Loja de Departamentos pela primeira vez em suas vidas, primeiramente vão até a confeitaria saciar a fome e a sede, para logo em seguida se dirigirem ao quartoandar, onde estão os brinquedos. Da infância feliz que não tiveram, passam para as roupas e móveis, que como adultos também jamais terão condições de possuir. Ao casal pobre resta o consolo de sonhar. Para um sistema que se diz de Pleno Consumo, eis aí uma crítica forte e consistente.
Chaplin reforça a frustração do não consumo em uma sociedade baseada no consumo, quando o seu personagem propõe ànamorada pensar como eles seriam felizes morando em uma casa de classe média. Idealiza um casal feliz, com fartura à mesa. Tudo ilusão, é claro! Pois, para a classe a que pertencem, sobra no máximo um barraco velho e abandonado na periferia da cidade.
Ponto importante para reflexão, são as respostas diferentes que os vários personagens deram diante das dificuldades que enfrentaram durante o períodode recessão que os EUA vivenciaram na década de vinte, a Grande Depressão. Enquanto a menina promovia pequenos furtos, seu pai procurava emprego honestamente, ao mesmo tempo em que participava dos movimentos operários que tinham como objetivo pressionar o Estado a resolver a crise econômica. Já Carlitos, por ser mão-de-obra não especializada, diante da realidade crua do desemprego, optou por se...
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