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Custos e viabilidade do confinamento frente aos preços baixos
Maurício Palma Nogueira1

1. Por quê confinar?
Muito se discute, hoje, sobre a viabilidade do confinamento em fazendas de pecuária
de corte. Enquanto alguns são entusiastas da técnica, outros dizem se tratar de
prejuízo na certa, algo que dificilmente tende a proporcionar resultados positivos em
uma empresa rural.
De fato oconfinamento é uma atividade de alto risco financeiro. Quando o
pecuarista fecha o gado no cocho, inicia um processo de alto ganho de peso,
quando comparado aos ganhos a pasto. No entanto, chega um momento que não se
pode mais “segurar” os animais pois os custos do ganho de peso passam a ser
proibitivos. Isso ocorre à medida que os animais vão atingindo maiores massas.
Além de tudo, há umadisponibilidade limitada de forragens para fornecer aos
animais, o que também inviabilizaria estender o confinamento por períodos
significativamente mais longos do que o planejado.
Nesse ínterim, o produtor passa a ser “refém” do mercado. Se os preços estiverem
ruins, ele tem que vender do mesmo jeito. É perder pelos preços baixos ou perder
pelo custo alto. Quando se diz que o produtor fica refém,é porque postergar a venda
geralmente acarreta em maiores riscos operacionais. Os custos aumentam; isso é
fato! E os preços dependem do mercado. Podem subir e compensar o aumento de
custos, ou podem cair e piorar ainda mais a situação.
No último ano, por exemplo, os preços do boi gordo foram recuando mês a mês até
meados de setembro, quando o mercado começou a reagir. Em menos de 20 dias, aarroba do boi gordo havia valorizado R$9,00, ou cerca de 18%, em valores reais, ou
seja, considerando a inflação.
1

Engenheiro Agrônomo – Sócio diretor da Scot Consultoria. mpnogueira@scotconsultoria.com.br

1

A alta se estendeu até meados de outubro, quando foram encontrados focos de
febre aftosa no Mato Grosso do Sul e no Paraná. A partir deste momento, o mercado
afrouxou, mas nãocaiu significativamente. Houve uma recuperação dos preços no
mês de novembro, por conta da falta de oferta.
Mas ainda em novembro, os preços voltaram a cair seguidamente, atingindo os
patamares mais baixos da história. Em janeiro de 2006, o preço médio mensal ficou
em R$50,60/@, o pior já registrado para o boi gordo paulista, com base em valores
corrigidos pelo IGP-DI. Observe, na figura 1, acurva dos preços médios mensais,
em reais corrigidos pelo IGP-DI, entre os meses de janeiro de 2005 e fevereiro de
2006.

R$
R $ corrigidos pelo IGP-DI/@ em SP

62,00
60,00
58,00
56,00
54,00
52,00

fev/06

jan/06

dez/05

nov/05

out/05

set/05

ago/05

jul/05

jun/05

mai/05

abr/05

mar/05

fev/05

jan/05

50,00

Fonte: Scot Consultoria

Figura 1:Preços do Boi Gordo no Estado de São Paulo, em R$ corrigidos pelo IGP-DI por
arroba

entre

os

meses

de

janeiro

de

2005

e

fevereiro

de

2006.

2

Ao final de janeiro de 2006, os preços da arroba do boi gordo paulista chegaram ao
patamar de R$49,50, em valores nominais. Tal preço, em valores nominais, não era
praticado desde meados de agosto de 2002.
Embora em2005 tenha ocorrido um aumento de preços em épocas de venda de
animais de confinamento, poucos produtores se beneficiaram desta alta, que além
de ter se concentrado em poucos dias, foi bastante tímida.
No início do ano havia a intenção, por parte dos pecuaristas, de aumentar o
confinamento. Mesmo com as cotações desfavoráveis para a arroba do boi gordo, os
preços dos alimentos concentradosestavam relativamente favoráveis. Acreditava-se
em aumentos na ordem de 5% no número de cabeças confinadas.
No entanto, ao final do período, estima-se que o número de animais confinados
tenha se reduzido cerca de 18% em 2005, quando se compara com 2004.
Aponta-se, para tanto, dois motivos principais. Primeiro, os preços em queda,
conforme ilustração da figura 1. Quem pôde optar, não fechou os...
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