Tecnologia da informação

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Brasil

TI já não importa
Nicholas G. Carr

Mayo 2003
Reprint r0305b-p

À medida que crescem o poder e a presença da tecnologia da informação, sua importância estratégica diminui. Logo, sua abordagem do investimento e da gestão de TI vai ter de mudar radicalmente.

TI já não importa
Nicholas G. Carr

E

m 1968, um jovem engenheiro da Intel chamado Ted Hoff descobriu um jeito decolocar os circuitos necessários ao processamento de um computador num pequeno pedaço de silício. Sua invenção, o microprocessador, provocou uma série de inovações tecnológicas — microcomputadores, redes locais e amplas, software empresarial, internet — que transformaram o mundo dos negócios. Hoje, ninguém negaria que a tecnologia da informação virou a espinha dorsal do comércio. A TI sustentaoperações de empresas, une elos distantes de cadeias de fornecimento e, cada vez mais, liga empresas a clientes. Hoje, um dólar ou um euro dificilmente trocam de mãos sem a ajuda de sistemas de informática. Com a expansão do poder e da presença da TI, o empresariado cada vez mais a encara como um recurso cru-

cial para o sucesso, um fato nitidamente refletido em seus hábitos de investimento. Em 1965,segundo um estudo do Bureau of Economic Analysis do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, menos de 5% dos investimentos de capital de empresas americanas foram para a tecnologia da informação. Com o surgimento do microcomputador no início dos anos 80, a porcentagem subiu para 15%. No início dos anos 90, havia chegado a mais de 30% e, no fim da década, batia em quase 50%. Mesmo com a recenteletargia no investimento em tecnologia, empresas no mundo todo continuam a gastar bem mais que US$ 2 trilhões por ano em TI. Mas a veneração da TI vai muito mais fundo. É evidente também na mudança de atitude da alta gerência. Vinte anos atrás, a maioria dos executivos menosprezava o computador, a seu ver uma ferra-

menta proletária, uma máquina de escrever e de calcular glorificada que deveriaser relegada a funcionários de baixo escalão como secretárias, analistas e técnicos. Era raro o executivo que deixava seus dedos tocarem um teclado, e mais raro ainda o que incorporava a TI a seu pensamento estratégico. Hoje, isso mudou completamente. Presidentes de empresas agora falam rotineiramente sobre o valor estratégico da tecnologia da informação, sobre maneiras de usar a TI para ganharvantagens competitivas, sobre a “digitalização” dos modelos de negócios. A maioria incluiu diretores de informática na alta cúpula e muitos contrataram firmas de consultoria estratégica para trazer novas idéias sobre a alavancagem do investimento em TI para a diferenciação e a geração de vantagens. Por trás da mudança de mentali3

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T I j á n ã o i m p o r ta

dade reside uma premissa simples: a de que com o aumento da potência e da presença da TI aumentou também seu valor estratégico. É uma premissa razoável, até mesmo intuitiva. Mas é errada. O que torna um recurso realmente estratégico — o que o capacita a servir de base para uma vantagem competitiva sustentada — não ésua ubiqüidade, mas sua escassez. Só ganha uma vantagem sobre os rivais aquele que tem ou faz algo que os outros não têm ou não fazem. Só que as funções básicas da TI — armazenamento, processamento e transporte de dados — estão disponíveis e acessíveis a todos.1 Seu poder e sua presença começam a transformá-los de recursos potencialmente estratégicos em fatores comoditizados de produção. Estãovirando custos de operação que precisam ser pagos por todos mas não oferecem distinção a ninguém. O melhor é encarar a TI como a mais recente de uma série de tecnologias amplamente adotadas que remodelaram a indústria ao longo dos últimos dois séculos — da locomotiva e da ferrovia ao telégrafo e ao telefone, passando pelo gerador elétrico e pelo motor de combustão interna. Por um breve período,...
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