Sustentabilidade

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Indicadores de sustentabilidade
José Eli da VEiga

e

Introdução

debates sobre a noção de sustentabilidade em quase todas
as áreas do conhecimento, eles obrigatoriamente têm suas raízes nas reflexões de duas disciplinas consideradas científicas: ecologia e economia.
na primeira, não demorou a surgir oposição à inocente ideia de que a sustentabilidade ecossistêmica corresponderia a umsuposto “equilíbrio”. Controvérsia que com ainda mais rapidez desembocou em solução de compromisso, com a
ascensão do conceito de resiliência: a capacidade que tem um sistema de enfrentar
distúrbios mantendo suas funções e estrutura. Isto é, sua habilidade de absorver
choques, a eles se adequar, e mesmo deles tirar benefícios, por adaptação e reorganização. um ecossistema se sustenta se continuarresiliente, por mais distante
que esteja do equilíbrio imaginário.
Foi essa convergência teórica que levou à comparação entre a biocapacidade
de um território e as pressões a que são submetidos seus ecossistemas pelo aumento do consumo de energia e matéria por sociedades humanas e suas decorrentes
poluições. Comparação que dá base à Pegada ecológica como indicador de tão
fácil compreensãoque se torna cada vez mais popular.
nada parecido ocorreu no âmbito da economia, no qual só pioram as divergências entre três concepções bem diferentes. Para começar, a conhecida colisão
entre sustentabilidade “fraca” e “forte”. a primeira é a que toma como condição
necessária e suficiente a regrinha de que cada geração legue à seguinte o somatório
de três tipos de capital que considerainteiramente intercambiáveis ou intersubstituíveis: o propriamente dito, o natural/ecológico e o humano/social. na contramão, está a sustentabilidade “forte” que destaca a obrigatoriedade de que pelo
menos os serviços do “capital natural” sejam mantidos constantes.
uma crucial variante dessa segunda corrente rejeita o que em ambas mais
há de comum: a ênfase nos estoques. Com o mesmo foco nos fluxos quehá
meio século viabilizou o surgimento e a padronização do sistema de contabilidade
nacional, e que permitiu a mensuração do produto anual de cada país, cuja versão interna (PIB) se tornou o barômetro do desempenho socioeconômico. suas
mazelas foram severamente criticadas, especialmente por só considerar atividades
mercantis e ignorar a depreciação de recursos naturais e humanos. o quejustamente provocou um processo de busca por correções e extensões com o objetivo
de transformá-lo em indicador de “bem-estar econômico sustentável”, depois rebatizado “indicador de progresso genuíno”.
a rigor, é contra todas as anteriores que se ergue a perspectiva biofísica, por
mbora capeiem

estudos avançados

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negar que a economia seja um sistema autônomo, e entendê-lacomo subsistema
inteiramente dependente da evolução darwiniana e da segunda lei da termodinâmica, sobre a inexorável entropia. nessa visão, só pode haver sustentabilidade com
minimização dos fluxos de energia e matéria que atravessam esse subsistema, e a
decorrente necessidade de desvincular avanços sociais qualitativos de infindáveis
aumentos quantitativos da produção e do consumo.
talalgaravia explica a ausência de um indicador econômico de sustentabilidade que desfrute de mínima aceitação. no entanto, a partir da adoção da
agenda 21 na Rio-92, a demanda por esse tipo de indicador havia sido fortemente
impulsionada. e em 1996 ela parecia ter achado uma trilha segura com a adoção
dos “Princípios de Bellagio” (IIsd, 2000). Contudo, os balanços da subsequente
proliferação deindicadores reunidos por Lawn (2006) mostraram que os métodos
propostos para a avaliação e o monitoramento da sustentabilidade permaneciam
elusivos.
nessas circunstâncias, houve forte propensão a selecionar alguns poucos
índices que, juntos, permitissem uma avaliação da sustentabilidade em suas várias
dimensões. e a mais interessante proposta desse tipo surgiu nas recomendações de
Murray...
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