Susan moller okin.

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Artigos Susan Moller Okin*
Stanford University

Gênero, o público e o privado** Gênero,
traduzido: Resumo do texto traduzido Neste artigo, a filósofa política Susan Moller Okin discute as configurações históricas da dicotomia público/privado, analisando seus significados a partir de uma perspectiva de gênero. A ausência de reflexão sobre o gênero – especialmente sob duas formas, a negligênciaà realidade política das relações familiares e a linguagem ‘neutra’ – tem levado muitos teóricos, do passado e do presente, a reafirmar essa dicotomia sem levar em conta sua natureza patriarcal. Para Okin, os domínios da vida doméstica (pessoal) e da vida não-doméstica (pública) não podem ser interpretados isoladamente, o que demanda uma revisão profunda dos fundamentos de grande parte da teoriapolítica liberal. A autora enfrenta essa tarefa, abordando problemas importantes, como o valor da privacidade. Palavras-chave: Palavras-chave gênero; público e privado; privacidade; teoria política.***

Copyright  2008 by Revista Estudos Feministas. * Susan Moller Okin é considerada uma das filósofas políticas mais importantes do Ocidente. Ela faleceu em março de 2004 em Lincoln, Massachussets.Algumas informações sobre a sua obra encontram-se no final deste número, na seção Colaboradoras/ es. A Revista Estudos Feministas publica este artigo dada a sua relevância para as teorias feministas e de gênero e em homenagem ao seu pensamento. ** Nota das editoras: Traduzido a partir da publicação em PHILLIPS, Anne (ed.). Feminism and Politics. NY, Oxford: Oxford University Press, 1998. p.116-141. Col. Oxford Readings in Feminism. Foi anteriormente publicado como capítulo 3 do livro organizado por David Held, Political Theory Today (Polity Press, 1991), p. 67-90. *** Este resumo não consta na versão original do artigo e foi feito pela tradutora.

Os conceitos de esfera pública e privada da vida têm sido centrais no pensamento político do Ocidente ao menos desde o século XVII. Emalguns aspectos, eles têm sua origem no pensamento grego clássico.1 Em grande parte da corrente predominante da teoria política hoje (em contraste com a teoria feminista), esses conceitos continuam a ser usados como se não fossem problemáticos. Argumentos importantes nos debates contemporâneos dependem da suposição de que questões públicas podem ser facilmente diferenciadas de questões privadas, de quetemos uma base sólida para separar o pessoal do político. Algumas vezes explicitamente, mas mais freqüentemente de maneira implícita, perpetua-se a idéia de que essas esferas são suficientemente separadas, e suficientemente diferentes, a ponto de o público ou o político poderem ser discutidos de maneira isolada em relação ao privado ou pessoal. Como argumento neste capítulo, afirmações como essassó podem ser sustentadas se argumentos bastante persuasivos de pesquisadoras feministas forem ignorados. Os estudos feministas em várias disciplinas colocaram na agenda uma nova categoria de análise, “gênero”, que levanta muitas novas questões sobre distinções prévias entre

Estudos Feministas, Florianópolis, 16(2): 440, maio-agosto/2008

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SUSAN MOLLER OKIN

1 Eu devo limitar minhadiscussão aqui às teorias ocidentais e às culturas das quais elas emanam. Para um interessante estudo transcultural sobre a privacidade e a dicotomia público/privado (incluindo a discussão das teorias e práticas dos gregos clássicos, hebreus, chineses antigos e esquimós contemporâneos), ver Barrington MOORE Jr., 1984. Moore conclui que, embora o que é privado e o grau em que a privacidade évalorizada sejam consideravelmente diferentes de uma sociedade para a outra, “parece bastante provável que todas as sociedades civilizadas tenham alguma percepção do conflito entre os interesses públicos e os privados”, e ele não encontra qualquer cultura que não valorize algum tipo de privacidade.

as esferas pública e privada. “Gênero” refere-se à institucionalização social das diferenças sexuais;...
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