Sus entre as tradiçoes nacionais e o modo liberal-privado

Páginas: 27 (6750 palavras) Publicado: 4 de abril de 2011
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ARTIGO ARTICLE

O SUS entre a tradição dos Sistemas Nacionais e o modo liberal-privado para organizar o cuidado à saúde Brazilian National Health System between liberal and public systems traditions

Gastão Wagner de Sousa Campos 1

Abstract This essay analyses some historical elements of the Brazilian National Health System, trying to understand the historical effects of twotraditions in healthcare: the liberal and the national public way to organize healthcare. Some social actors are also studied, particularly the Brazilian sanitary reform social movement. Key words Healthcare policies, National Health System, Sanitary reform

Resumo Este ensaio analisa elementos da história do SUS, buscando compreender os efeitos de duas fortes tradições sobre o modo para organizar ocuidado em saúde: a liberal-privatista e a dos sistemas nacionais e públicos de saúde. Procura caracterizar também a atuação de alguns atores sociais, com destaque para o movimento sanitário. Palavras-chave Política de saúde, Sistema Único de Saúde, Reforma sanitária

1 Departamento de Medicina Preventiva e Social, FCM/UNICAMP. Rua Américo de Campos 93, Cidade Universitária. 13083-040 CampinasSP. gastaowagner@mpc.com.br

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Campos, G. W. S.

Introdução: O SUS e o movimento sanitário
Começo este ensaio com uma pergunta. Como decifrar a polissemia política do sistema de saúde brasileiro realmente existente e, a partir desta compreensão, reconstruir o bloco histórico em defesa do SUS? Há certo consenso entre estudiosos de que o Sistema Único de Saúde tem representado uma políticafavorável à construção da justiça social e do bem-estar entre os brasileiros. Estes mesmos autores também apontam para problemas e impasses desta política: o SUS seria uma reforma incompleta, já que sua implantação vem ocorrendo de maneira heterogênea, pois há desigualdade no atendimento às necessidades e na utilização de serviços de saúde, há problemas de financiamento, da gestão do sistema e dotrabalho em saúde, entre outros1, 2. Como teria sido possível a constituição de uma política pública de saúde de caráter universal, fortemente assentada em organizações estatais, e que vem articulando uma ampla rede de atenção à saúde, em um contexto histórico desfavorável? Vale assinalar que os últimos trinta anos foram marcados por uma crise global do sistema de bem-estar e do socialismo real eainda pela hegemonia, teórica e prática, do que se convencionou denominar de neoliberalismo ou de capitalismo mundializado. Sendo assim, como haveria sido possível uma reforma de caráter social no país? Haveria o movimento sanitário e de outros segmentos da sociedade civil desempenhado um papel potente o suficiente para enfraquecer as pressões favoráveis às contra-reformas conservadoras e àdinâmica dos interesses privados e corporativos? E ainda outra pergunta sobre o presente e o futuro: a continuidade da reforma sanitária e de sua expressão mais relevante, o SUS, dependeria da constituição de um autor social com capacidade para articular um poderoso consenso sobre a necessidade de levar-se a cabo a radical implantação de um sistema nacional de saúde, o SUS? Como compor trabalhadores desaúde, segmentos populares e das camadas médias, com partidos políticos e gestores, possibilitando a eclosão e o fortalecimento de movimentos sociais com forte poder de indução sobre o Estado brasileiro? Admitindo, em tese, a importância estratégica de pressões sociais para a continuidade da reforma sanitária, caberia ainda outra questão sobre a possibilidade desta construção; ou seja: Para superaros atuais impasses à construção do SUS e do bem-estar no Brasil seria, portanto, possí-

vel a reinvenção de um movimento sanitário capaz de sustentar tanto a institucionalidade do já em parte realizado – o SUS -, quanto de avançar rumo à distribuição de renda e democratização da vida social e do estado brasileiro? Compreender para intervir. O objetivo deste ensaio é refletir sobre as...
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