Surdos e sua comunidade

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  • Publicado : 7 de outubro de 2012
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A relação dialógica como pressuposto na aceitação das diferenças: O processo de formação das comunidades surdas.
O movimento surdo não pode ser configurado como um monólogo, e por isso é regado de dialogicidade. “Os surdos podem olhar o mundo ao invés de somente vê-los”. O dialogo é de extrema importância, pois possibilita informação, auto-formação e reconhecimento dos sujeitos.
A antropologiamoderna tem como convicção que os seres humanos são modificados pelos locais que freqüentam e, a partir desse ponto, traçar uma linha cultural única, seria um equivoco. Não podemos pensar que a cultura dos surdos é uma imagem da cultura dos ouvintes, isso não existe. E quando a cultura surda é reprimida, ela sofre inúmeros retrocessos.
A única coisa própria do ser humano é a linguagem, poissomente a partir dela nos transformaremos em seres individuais, sociais e culturais. E abrir espaço para que os surdos tenham acesso a todo conhecimento é um bom começo.
É preciso ultrapassar as fronteiras da escola, pois muitas ainda trabalham no sistema de adestração, sem se preocupar com a formação integral dos alunos surdos, outras ainda trabalham com base terapêutica, transformando o localescolar numa clinica de recuperação.
É preciso que ampliar seus conhecimentos sobre o mundo, sobre os outros e sobre si mesmo, e pensando nisso, surge a ideia do multiculturalismo- bilíngüe: duas línguas e diversas culturas.
Surdos que tem pais ouvintes são os que sofrem mais com a perda cultural, pois provavelmente só terão contato com outros surdos quando estiverem na adolescência ou na faseadulta, e só então desenvolverão sua identidade surda. As relações parentais dos surdos diferem das dos ouvintes, pois é um parentesco cultural e não familiar, eles se constituem como um grupo étnico, a não ser que toda a família seja surda.
Pensar em grupo, dialogando e planejando amplia a rede de comunicação das comunidades. Os objetivos comuns das comunidades surdas são avançar nos camposeducacionais, econômicos e sociais, e na vida cívica. Nada mais justo que a igualdade de direitos. È preciso encarar os surdos sem medo, aceitando uma cultura diferente, para uma sociedade mais digna e igualitária.

Os surdos tem cultura?

No Capitulo 2 Karin Strobel vem questionar a visão errada de grande parte da sociedade de que os surdos vivem isolados, incomunicáveis e portanto são deficientes eincapazes. Isso não é verdade! Eles simplesmente têm modos de agir diferentes dos sujeitos ouvintes.
Entre eles não se faz diferença por causa do grau de surdes, o que realmente importa é o fato de pertencerem a um grupo que usa a língua de sinais.
O que é então a cultura surda? É o jeito como o surdo entende e interage com o mundo, criando assim sua identidade. A cultura do povo surdo é algoque penetra na pele e engloba a língua, as idéias, as crenças, os hábitos, os costumes, os valores e os comportamentos.
Em 1880, na Itália, ficou proibido o uso da língua de sinais pelo Congresso Internacional de Educadores Surdos, o que conseqüentemente impediu que as crianças surdas participassem das comunidades surdas para viverem em regime de internato, onde era imposta a metodologiaoralista, que afastava os mesmos da família do convívio social das pessoas e de todo o processo de transmissão cultural tão rico e que dessa forma só viriam a ocorrer da fase adulta. Ou pela família ser ouvinte, ou pela proibição de freqüentar a escolas de surdos, a verdade é que, o contato com a comunidade surda só se dá muito tarde, percebe-se que eram nos dormitórios, longe da vigilância, que os alunossurdos aprendiam não só a língua de sinais, mas também construíam sua cultura.
Com a necessidade de obter um espaço para se reunirem e terem sua cultura respeitada, foram criadas associações, federações e outras organizações de surdos de acordo com interesses comuns como: raça, religião, profissões, etc. Portanto, o fato incomum de não escutarem não os tornam necessariamente integrantes de...
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