Surdez

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  • Publicado : 20 de abril de 2013
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Ver a surdez como um problema diretamente relacionado a visão patológica. Esse é o discurso fortemente construído e aceito pelo a maioria. É importante frisar, todavia, que os surdos e ouvinte que usam e valorizam a língua de sinais assumem uma postura positiva diante da surdez. Em algumas comunidades academia dos EUA, por exemplo, já é possível observar uma autonomia identitária, cultural elinguística, e, consequentemente, um senso coletivo critico de que a surdez como problema é uma construção do mundo ouvinte.
Cientificamente, as praticas discursivas sobre a surdez, ante praticamente exclusivas da área da medicina e da fonoaudiologia, tem sido deslocadas para as áreas da educação, da linguística, da antropologia e da sociologia.
A surdez como deficiência pertence a uma narrativaassimétrica de poder e saber; uma “invenção/produção” do grupo hegemônico que, em termos sociais, históricos e políticos, nada tem a ver com a forma como o grupo se vê ou se representa. No discurso predominante, ignora-se completamente a fato de que as alteridades as quais se referem como deficientes são cidadãos e sujeitos políticos que e articulam e fazem parte de movimentos sociais e militâncias.São homens ou mulheres marcados por suas orientações sexuais, religiosas, étnicas, de gênero, classe e idade. Infelizmente, na nossa sociedade, o aspecto cultural da surdez é ainda mais difícil de ser aceito quando os discursos recaem e se fixam exclusivamente no fenômeno físico.
O discurso médico tem muito mais força e prestigio do que o discurso da diversidade, do reconhecimento linguístico ecultural das minorias surdas. A surdez é construída na perspectiva do déficit, da falta, da anormalidade. O normal é ouvir, o que diverge desse padrão deve ser corrigido, normalizado. Nesse processo normalizador, abrem-se espaços para e estigmatização e para a construção de preconceitos sociais.
Os fatores hereditários da surdez foram alvos de especulações de muitos cientistas. Nos EUA, ondedurante mais ou menos dois séculos a população da ilha apresentava um elevado numero de cidadãos surdos. O estudo comparativo partia da estimativa de que, no século XIX, a cada 5.728 indivíduos americanos nascidos 1 era surdo, ao passo que em Martha’s vineyrd proporção era de 1 urdo para cada 155 recém-nascidos.

Texto 4
Um Olhar Sobre o Nosso Olhar Acerca da Surdez e das Diferenças é um textode Carlos Skliar, disponível no livro, “A surdez: um olhar sobre as diferenças”,  por ele organizado. Skliar é docente da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; pesquisador de “necessidades educacionais especiais, a surdez” e fundador do Núcleo de Pesquisas e Estudos para Surdos (NUPES).
Neste texto Skliar parte do pressuposto de que o surdo é assistido sob uma óticaantropológica, histórica-social. Aborda, de maneira bem clara, a questão da surdez, problematizando e questionando a constante rotulação  de deficiência.
Skliar aponta para a existência de uma ideologia dominante, criada pela cultura oral, que impõe ao surdo seu modo de vida. Uma ideologia que define o surdo com supostos traços negativos, com rótulos do tipo: desvio de normalidade, falta edeficiência. Um estigmatismo que, segundo o autor, contamina a educação desenvolvida para os surdos.
A surdez é apontada pelo nosso autor como uma diferença a ser politicamente reconhecida, uma identidade. Todavia essa ideologia dominante, que o autor chama de “ouvitismo”, configura-se em um conjunto de representações segundo o qual o surdo é obrigado a olhar-se e a narrar-se como se fosse um ouvinte.De fato o “ouvitismo” teve como base os textos da medicina, a autoridade dos pais e, até mesmo, dos próprios surdos que acabavam por negar sua condição. Deste modo o “ouvitismo” foi de fato, é o que expõe o Skliar, uma forma de “colonização” do currículo que acabou equiparando os surdos aos doentes mentais. Tal conjuntura leva incondicionalmente ao fracasso escolar que muitas das vezes é...
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