Softweres ritmicos de surdos

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Campinas, 15 a 21 de junho de 2009

JORNAL DA UNICAMP

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Ferramentas podem auxiliar educadores, terapeutas corporais, fonoaudiólogos e crianças com surdez

Softwares desenvolvem senso rítmico de surdos

Fotos: Divulgação

O

LUIZ SUGIMOTO sugimoto@reitoria.unicamp,br

que é o ser humano sem a comunicação, sem a formação dos conceitos que chegam pelo ouvido? Refletimos muito poucosobre esta questão e menos ainda sob o ponto de vista das pessoas surdas, como observa a professora Teumaris Regina Buono Luiz, que acaba de obter o doutoramento na área de atividade física, adaptação e saúde junto à Faculdade de Educação Física (FEF) da Unicamp. “A maior parte dos conceitos que criamos acerca das coisas é fortalecida pela linguagem verbal. Essa entrevista só está sendo possívelporque recorremos à semântica, ao jogo simbólico da comunicação, o que inclui o ritmo da fala para deixar mais claro o que queremos transmitir”. A pesquisa de doutorado, orientada pelo professor Paulo Ferreira de Araújo (FEF) e viabilizada em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), resultou em dois softwares visando ao desenvolvimento do senso rítmico dos surdos, uma ricacontribuição a educadores, terapeutas corporais, fonoaudiólogos e crianças com surdez de severa a profunda. “Há grande preocupação em trabalhar nesse campo, pois além da carência de ritmo nas ações motoras (tema afeito à área de educação física), existe uma implicação no ritmo da fala (o que diz respeito ao fonoaudiólogo), embora a oralização seja apenas uma das facetas na comunicação do surdo”. Atuando juntoà comunidade de surdos em Curitiba desde 1997 e, portanto, apta a mensurar a necessidade de amenizar este déficit com relação ao ritmo, Teumaris Luiz instiga o ouvinte à reflexão. “O ritmo é um aspecto extremamente importante nas ações do ser humano e da natureza. Os fenômenos são cíclicos (rítmicos) e tornam possível a adaptação das espécies às mais diversas tarefas. Nós ouvintes, desde o ventrematerno, desenvolvemos um contato íntimo com o ritmo ao redor, e é através da acuidade auditiva que esta exploração acontece”. Na primeira infância, diz a pesquisadora, esta estimulação cresce proporcionalmente às experiências sensoriais. O surdo, seja pela ausência ou diminuição drástica de um dos canais sensoriais (o auditivo), não possui o senso rítmico tão desenvolvido, o que se dá normalmentena criança ouvinte. “Mesmo no surdo oralizado – que

Programa de Atividade Rítmica Adaptada (PARA): a projeção do BPM no teto e nas paredes garante maior autonomia ao surdo, que pode executar os movimentos no ritmo, mesmo deitado

consegue emitir palavras e formular frases – percebemos a voz gutural e não-rítmica. Como o ritmo está inserido em todas as ações motoras, a não estimulação do sensorítmico do surdo tem implicações diretas também sobre seus movimentos e sua noção espaçotemporal”. Projeto original A autora da tese lembra que duas formas tradicionais de aquisição do ritmo pelo surdo são as práticas motoras sobre tablados e o estímulo da percepção colocando as mãos na caixa de som. Como projeto de mestrado em 2001, ela idealizou e levou a campo o Programa de Atividade RítmicaAdaptada (PARA), baseado em método proposto pelo professor Iverson Ladewig, da UFPR. “A ideia é estimular os sentidos remanescentes do surdo, que são a visão e o tato, para que ele perceba o ritmo ditado no ambiente (a música tocada) em seu parâmetro ‘velocidade’, por meio de dicas visuais”. Os estudos pilotos foram realizados no Cepre (Centro de Estudos e Pesquisas em Reabilitação “Gabriel Porto”)da Unicamp. Em um quadro imantado foram dispostos oito ímãs com desenhos de tartarugas para compreensão do ritmo lento e de coelhos para o ritmo rápido. Tocando cada figura com a mão, na velocidade do ritmo executado no ambiente, a pesquisadora pedia às crianças surdas que realizassem movimentos seguindo as dicas visuais. “Elas passaram a compreender melhor as noções de ritmo e a realizar...
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