Sofistas

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1. ORIGENS, NATUREZA E FINALIDADE DO MOVIMENTO SOFÍSTICO
1. Significado do termo “sofista”
Antes de iniciar um discurso sobre a sofística, é indispensável esclarecer o significado original e autêntico do termo “sofista”.
E sabido, com efeito, que sofista, na linguagem corrente, há tem po assumiu um sentido decididamente negativo: sofista é chamado aquele que, fazendo uso de raciocínioscapciosos, busca, por um lado, enfraquecer e ofuscar o verdadeiro e, por outro, reforçar o falso, revestindo-o das aparências do verdadeiro. Mas este não é de modo algum o sentido original do termo, que significa simplesmente “sá bio”, “especialista no saber”, “possuidor do saber”. Significa não só algo positivo, mas altamente positivo’
A acepção negativa do termo sofista tornou-se corrente a partirtalvez já de Sócrates e, certamente, dos discípulos de Sócrates, Platão e Xenofonte, que radicalizaram a batalha ideológica contra os sofis tas, e depois com Aristóteles, que codificou tudo o que dissera Platão.
Eis como Platão define o sofista no diálogo homônimo:
Em primeiro lugar, o sofista era um caçador remunerado de jovens ricos t.. .1 em segundo lugar, uma espécie de importador deconhecimentos que interessam à alma 1...] e em terceiro lugar, não se nos mostrou como um biscateiro destas mesmas coisas [ e em quarto lugar, um mercador dos próprios produtos científicos [ e em quinto era uma espécie de atleta da agoníslica aplicada aos discursos, como quem tivesse reservado para si a arte de disputar [ depois, em sexto lugar, era algo de controvertído; todavia convimos admitir que eleseja uma espécie de purificador espiritual das opi niões que impedem a alma de saber
Xenofonte escreve:
1. Para a história do termo sofista ver M. Untersteiner, Nota sulta paro “sofis ta”, em Sofisti. Tesfinionianze e franirnenzi, 1, La Nuova Italia, Florença 19612, pp
XVlss.
2. Platão, Sofista, 231 d-e (‘- Diels-Kranz, 79 A 2).
Porque se alguém vende a sua beleza por dinheiro a qualquer que odeseje, chamam-no prostituto [ analogamente, os que vendem por dinhei ro a sabedoria a qualquer um, são chamados sofistas, que é o mesmo que dizer prostitutos
E ulteriormente:
Os sofistas falam para induzir ao engano, e escrevem para o próprio ganho, e não beneficiam em nada a ninguém [

E Aristóteles conclui:
A sofística é uma sabedoria aparente, não real; o sofista é um mercador desabedoria aparente, não real
Como é bem evidente, são dois os pontos de acusação, e, de natureza diferente: a) a sofística é um saber aparente e não real e, além disso, ela b) é professada com fins lucrativos e de modo algum por desinteressado amor à verdade.
A estas acusações, aduzidas por filósofos, acrescentaram-se de pois também as que surgiram da opinião pública. Esta viu nos sofistas um perigo,seja para a religião (como de resto o viu nos últimos físicos), seja para o costume moral, dado que, justamente, para este domínio os sofistas deslocaram a sua atenção. Os aristocratas em particular não perdoaram os sofistas por terem contribuído para a sua perda de poder e por terem dado forte incentivo à formação de uma nova classe, que não se valia mais da nobreza de nascimento, mas dos dotes ehabilidades pessoais, e que era, justamente, aquela classe que os sofistas pretendiam criar ou, pelo menos, educar sistematicamente.
Resta, em todo caso, que a responsabilidade máxima em desacre ditar os sofistas foi de Platão, e o foi, mais do que pelo que disse, pelo modo particularmente eficaz como o disse, com o instrumento da sua arte: e dado que Platão é a fonte mais importante para areconstrução do pensamento sofístico, é claro que, fatalmente, por muito tempo os historiadores tomaram por boas não só as informações que ele nos fornece sobre os sofistas, mas também os juízos que dá sobre eles.
3. Xenofonte, Memoráveis, 1, 6, 13 (= Diels-Kranz, 79 A 2a).
4. Xenofonte, cynegericus, 13, 8 ( Diels-Kranz, 79 A 2a).
5. Aristóteles, Refutações sofisticas, 1, 165 a 21 Diels-Kranz, 79 A...
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