Sociologia urbana

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  • Publicado : 6 de maio de 2011
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Breve Histórico
Atualmente, as favelas são mais do que manifestações de moradia de baixo nível. Elas são sintomas de sociedades urbanas disfuncionais, que abrigam diversos e graves problemas relacionados à falta de qualidade de vida. E dentre eles, o risco de incêndio que, em virtude do seu poder de destruição, impacta negativamente, tanto nos aspectos sociais quanto econômicos e ambientais.Segundo o relatório das Nações Unidas sobre os Centros Urbanos no Mundo¹, se for mantido o índice de crescimento das favelas, atualmente estabilizado em 0,34% ao ano, o Brasil terá, até 2020, 55 milhões de pessoas vivendo em áreas livres, ou seja, o equivalente a ¼ da população brasileira.
Para reverter essa situação o Ministério das Cidades, com a Política Nacional de Desenvolvimento Urbano, osgovernos estaduais e locais têm envidado esforços. Entretanto, tal empenho, bem como as inovações tecnológicas que estão sendo produzidas, demonstram que a solução definitiva do problema habitacional ainda demandará algum tempo e uma grande soma de recursos financeiros para ser solucionado.
Enquanto isso, em curto prazo, nota-se uma tendência de agravamento do problema, em virtude do aumento daconcentração populacional, que está em curso nesses locais, provocando o crescimento da utilização de equipamentos e de energia, aglomeração de materiais combustíveis, etc.

Basta um olhar um pouco mais atento a um assentamento urbano precário para que um número muito grande de riscos de incêndio salte aos nossos olhos: instalações elétricas precárias, por conta da sobrecarga em fiaçõesinadequadas e falta de dispositivos de proteção; alta quantidade de materiais combustíveis na construção e no interior das habitações; fontes de calor como fogareiros, fogões e aquecedores utilizados de maneira inadequada e proximidade entre as habitações, facilitando a propagação do fogo.
Situação que se agrava pela falta de conscientização, por parte da população, dos riscos existentes ali e,consequentemente, pelo despreparo para atuar emergências.
Soma-se a isso também, o fato de, lamentavelmente, apenas 10% dos municípios brasileiros terem postos dos Corpos de Bombeiro e, apesar de todo empenho e profissionalismo inquestionáveis, o tempo de resposta no atendimento às favelas ser considerado alto, em virtude da facilidade e conseqüente rapidez com que o fogo se propaga nestes locais, o quetorna imprescindível combatê-lo o quanto antes.
Há que se considerar, ainda, que os bombeiros encontram grandes dificuldades para desenvolver suas atividades nesses locais, em função da falta de água (ou de hidrantes urbanos), das restrições para a movimentação das viaturas e da precariedade dos acessos no interior das favelas, o que muitas vezes impede que se combata o fogo no local de origem, seresgatem vítimas e se auxilie a fuga dos moradores.
Há que se considerar ainda:
a) a freqüência com que ocorrem incêndios em favelas. Somente nas 7 comunidades monitoradas (sobre as quais se falará mais adiante), nos últimos 4 anos houve mais de 70 princípios de incêndio, com algumas ocorrências de alto grau de complexidade;
b) os riscos a que estão e, continuarão por longo prazo, expostasmilhões de pessoas diuturnamente;
c) o grande vulto de recursos financeiros demandados em casos de emergência dessa natureza.
Além, é claro, das perdas humanas e materiais, os incêndios promovem contundentes impactos econômicos e ambientais. A sobrevivência de centenas e, às vezes, de milhares de pessoas desabrigadas (entre elas crianças de diversas idades, pessoas doentes, idosos, etc.) passa,de uma hora para outra, a depender, exclusivamente, da administração pública, que conta com uma infra-estrutura que, via de regra, não dispõe de muitos recursos para investir em abrigos de emergência, que estejam em acordo com o previsto na Declaração Mundial dos Direito Humanos. Uma situação que se agrava à medida que o tempo de permanência dessas pessoas em locais provisórios se estende. Nesse...
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