Sociologia do território

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Sociologia do Território

Rodrigo Adonis Barbieri
Prof. Eber Marzulo – PROPUR UFRGS - Agosto de 2006






RENOVAÇÃO URBANA E EXCLUSÃO SOCIAL




Introdução


Como uma das conseqüências econômicas do final do século XX, as cidades passam a ter papel central na nova ordem produtiva global.
Diminuídas as vantagens locacionais devido ao grandedesenvolvimento tecnológico dos transportes e comunicação, as grandes cidades e mesmo as cidades médias, travam um processo de concorrência entre si, procurando gerar maior atratividade, quer para investidores quer para consumidores.
No momento, setores relacionados com o turismo e serviços apresentam oportunidades tentadoras de desenvolvimento econômico, fazendo com que as cidades procurematender às demandas destes segmentos, onde aspectos como cultura, paisagem, identidade ou história tornam-se material conversível em valor monetário.
Conforme exposto por CASTELLS(1996, vol2 p421), “A identidade territorial está na base dos governos locais e regionais que despontam no mundo todo como atores importantes tanto em termos de representação como de intervenção, por estarem maisbem posicionados para se ajustarem às incessantes variações dos fluxos globais. A re-invenção da cidade estado é uma característica proeminente dessa nova era de globalização, uma vez que, no início da Idade Moderna, o conceito da tal cidade estava relacionado ao desenvolvimento de uma economia internacional mercantil”.
Neste sentido, políticas com origens nos meios empresariais produzem ochamado “City Marketing” que atuam através de projetos de intervenção urbana, contribuído para mudar a Imagem da cidade e melhorar a sua posição competitiva, despontando como instrumentos importantes de planejamento e gestão.
Nas palavras de VAINER(): “Entre os modelos de planejamento urbano que concorrem para ocupar o trono deixado vazio pela derrocada do tradicional padrãotecnocrático-centralizado-autoritário está o do chamado planejamento estratégico”
Anteriormente, os planos até os anos 1980 envolviam propostas que previam legislações semelhantes para toda a cidade. A partir de então, como conseqüência do insucesso deste modelo, instaura-se o princípio de intervenção local, em pequena escala, geralmente envolvendo parcerias público-privadas. Neste processo, espaçosprivilegiados, bem desenhados, funcionam como uma grande vitrine da cidade e como forte elemento promocional da sua imagem.


Estes artifícios vinculam-se à realização de projetos arquitetônico-urbanísticos de grande impacto, particularmente equipamentos emblemáticos como museus, centros culturais, shoppings, espaços para grandes eventos e principalmente as chamadas propostas de revitalizaçãourbana, tão comuns nos dias de hoje.
“A grande veiculação das imagens sintéticas da cidade intensifica a idéia do socialmente pleno usufruto dos novos espaços modernizados e, implicitamente, sugere uma vida de classe média para todos os cidadãos”...”A produção destas sínteses expressivas corresponde à estratégia de mobilização de determinadas energias – sobretudo dos setores dominantes dasociedade – para a sustentação da nova imagem, com um forte impacto no senso comum, na memória social e nas práticas de uso dos espaços.”SANCHEZ(
Ao mesmo tempo em que oferecem novas perspectivas econômicas, estas estratégias podem provocar efeitos nocivos às populações residentes, agravando situações de vulnerabilidade e exclusão.


Segundo Castells(1996, vol3 p99) “Esse processoresulta em uma geografia extremamente irregular de exclusão e inclusão territorial/social, que desabilita grandes segmentos da população e ao mesmo tempo estabelece conexões transterritoriais, por meio da tecnologia da informação, entre o que ou quem possa gerar valor nas redes globais de acumulação de riqueza, informação e poder.”.


CASTELLS(1996, vol3 p99) “a ascensão do capitalismo...
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