Sociolinguistica e o ensino de lingua materna

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1 INTRODUÇÃO Gislane Bonfim santos

A variação linguística é um assunto muito discutido na atualidade, por pesquisadores e interessados na prática de ensino da língua materna. Mas apesar de haver vários trabalhos científicos publicados acerca do tema, pode-se observar que o ensino de português nas escolas públicas é deficiente, sobretudo, quando se trata de diversidades linguíticas. Estudosrealizados tais como: Bortoni-Ricardo (2005), Mollica (2003), Travaglia (2009), Antunes (2007), mostraram que a língua portuguesa brasileira não é homogênea e que no Brasil a diversidade linguística é encontrada em todas as regiões do país, entretanto, as variações linguísticas são estudadas na escola de forma superficial, permitindo, assim, que continuem a existir preconceitos e mitos em relação àdiversidade linguística que temos na nossa língua, considerando uma variação melhor ou pior que as outras e acreditando que a língua não é heterogênea e que só existe uma variação correta na língua portuguesa, a norma padrão que é a mais prestigiada. A partir dessa constatação, o presente estudo objetivou de analisar a prática de ensino de um professor de língua portuguesa do ensino fundamentalmaior numa escola pública de Timon-MA. Com base nas observações de sala de aula procurou-se descrever as práticas do docente em relação à variação linguística na sala de aula, identificar a sua concepção de linguagem, através da comparação do seu discurso (fala) e da prática de sala de aula. Para uma melhor compreensão, utilizou-se a base teórica da sociolinguística, entendendo que ela fornecerásubsídio teórico para que possamos desenvolver a pesquisa que motivada pela inquietação de desenvolver uma pesquisa em que pôde obter respostas e pelo desejo de contribuir com a sociedade mostrando como de fato se dá o ensino de língua materna no ensino fundamental maior.

2 SOCIOLINGUÍSTICA E O ENSINO DA LÍNGUA MATERNA

Segundo Alkmim (2011), somente a partir do século XX a Sociolinguística passoua ser definida como uma área de estudos da língua em uso, a partir da necessidade de estudar a relação entre a linguagem e sociedade.



Assim, o estudo da relação linguagem e sociedade foi discutido por vários autores do século XX, participantes ou não do estruturalismo. Meillet (1977 apud ALKMIN, 2011) defende que a língua é um fator social, não tendo assim razão para ser autônoma. Nestecontexto, Alkmim ressalta que:
Ora, a linguagem é, eminentemente, um fator social. Tem-se frequentemente, repetido que as línguas não existem fora dos sujeitos que as falam, e, em conseqüência disto, não há razão para lhe atribuir uma existência autônoma, um ser particular [...] (ALKMIM, 2011, p. 24).

Bright (1974) propôs que a nova área de estudo deveria observar as variações existentes naconstrução da língua em uma sociedade. Segundo a autora:
[...] a proposta de Bright para a sociolinguística é a de que ela deve “demonstrar a covariação sistemática das variações linguística e social”. Ou seja, relacionar as variações linguísticas observáveis em uma comunidade às diferenciações existentes na estrutura social desta mesma sociedade. (BRIGHT 1974 apud ALKMIM, 2011, p.28)

Ainda, deacordo com Alkmim, o objeto de estudo da Sociolinguística passou a ser definido como a língua falada em um contexto sociocultural. Partindo do princípio de que numa comunidade linguística as pessoas não falam do mesmo modo, mas compartilham do mesmo conjunto de regras específicas que orienta o modo de falar de todos. Na mesma linha de investigação, Camacho observa que:
Dois falantes de uma mesmalíngua ou variação dialetal dificilmente se expressam exatamente do mesmo modo, assim como um único falante raramente se expressa da mesma maneira em duas diferentes circunstâncias de comunicação (CAMACHO, 2011, p. 50).

Para o autor, dificilmente dois indivíduos pertencentes a uma mesma comunidade falam conforme o outro, Ou ainda, um mesmo falante não conseguirá se expressar do mesmo modo em...
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