Sociedades indigenas

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  • Publicado : 27 de maio de 2012
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O conceito de tribo, na América do sul, dependendo dos interesses em jogo, tem sido aplicado elasticamente para englobar vários grupos indígenas, independentemente da presença ou ausência de vinculações entre eles, ou tem sido contraído, para excluir grupos que são cultural, social, e politicamente próximos. Os agentes desses feitos têm sido, principalmente, missionários e funcionáriosgovernamentais. Sendo um recurso natural vinculado à vida social como um todo, a terra não é e não pode ser objeto de propriedade individual. De fato, a noção de propriedade privada da terra não existe nas sociedades indígenas. Nos povos indígenas o domínio é sancionado por tradições de origem que narramprecisamente de onde vieram os primeiros ancestrais e suas viagens e aldeamentos subseqüentes. É com base nessas tradições que as pessoas podem dizer: ‘Está é a nossa terra.’”
“…o lugar onde os parentes são enterrados é sagrado, e já que estão enterrados na aldeia, a aldeia é sagrada. Onde há indígenas enterrados é aldeia, e onde não há ninguém enterrado não é aldeia, ainda que aí vivam cinqüentahabitantes.”O que isso significa, na prática, é que cada sítio de aldeia está historicamente vinculado a seus habitantes, de modo que o passar o tempo não apaga o conhecimento dos movimentos do grupo, desde que se mantenha viva a memória dos ancestrais. Estes estão, portanto, ligados ao território, sendo que o foco dessa relação é o local de habitação, isto é, a aldeia. No território estão inscritasas mais básicas noções de autodeterminação, de articulação sociopolítica, de vivência e crenças religiosas, para não falar na própria existência física do grupo. Limitar, pois, o território de um grupo às imediações do seu centro residencial, a aldeia, é condenar esse grupo à penúria permanente, privando-o dos recursos naturais que, por sua natureza ecológica, acham-se espalhados por grandesdistâncias, necessitando, conseqüentemente, de uma exploração extensiva e não intensiva.
A produção econômica, seja ela caça, pesca, coleta, lavoura ou qualquer outra, o trabalhador não se isola de seus demais papéis e obrigações. Na produção estão sempre presentes considerações de ordem social, ritual, religiosa, para citar apenas as mais comuns e óbvias.O trabalhador numa sociedade indígena não écompartimentalizado; ele é um ser social total em todas as esferas de sua vida.
Lazer e trabalho não são facilmente separáveis nas sociedades indígenas. Se é falsa a noção de que os índios estão eternamente ocupados à procura de alimentos, sem tempo para atividades mais criativas, também é falsa a idéia comumente ventilada de que o índio é preguiçoso, não trabalha, vive no ócio.O conceito depobreza não se aplica as sociedades onde todos os membros são igualmente aquinhoados com número e tipo semelhante de bens materiais. Isso implica que, assim como a riqueza, a pobreza é uma relação social, isto é, ela só tem significado em contraste com a não-pobreza. Alguém só é pobre porque contrasta com quem é rico. Na Amazônia eoutras regiões tropicais, a técnica agrícola mais utilizada é a que passou a ser conhecida por coivara, compreendendo a derrubada de uma porção da mata, geralmente em círculo, a queimada das árvores e dos arbustos cortados e o plantio de mudas ou sementes de mandioca-brava, milho, fumo, algodão e outros produtos. A seqüência das várias fases desse processo é regida pelo sistema sazonal: a derrubadae a queimada nos meses de seca; o plantio no início das chuvas.Ao contrário das críticas ventiladas por alguns agrônomos e tecnocratas, o sistema de coivara, longe de ser irracional, é o que melhor se adapta às condições ecológicas dos trópicos úmidos, pelo menos na Amazônia.Uma das ações mais fortemente condenadas como anti-sociais é a avareza; uma pessoa que tem, por exemplo, mais facas do...
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