Sociedade e estado

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 5 (1232 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 24 de fevereiro de 2013
Ler documento completo
Amostra do texto
1. Conceito de Sociedade Civil e Sociedade Política (Estado) e suas relações

Os conceitos de Sociedade e Estado, na linguagem dos filósofos e estadistas, têm sido empregados ora indistintamente, ora em contraste, aparecendo então a Sociedade como círculo mais amplo e o Estado como círculo mais restrito. A Sociedade vem primeiro; o Estado, depois.
A burguesia triunfante abraça-se acariciadoraa esse conceito que faz do Estado a ordem jurídica, o corpo normativo, a máquina do poder político, exterior à Sociedade, compreendida esta como esfera mais dilatada, de substrato material econômico, onde os indivíduos dinamizam sua ação e expandem seu trabalho.
A Sociedade, algo interposto entre o indivíduo e o Estado, é a realidade intermediária, mais larga e externa, superior ao Estado, poréminferior ainda ao indivíduo, enquanto medida de valor.
O conceito de Sociedade tomou sucessivamente três colorações no curso de sua caminha histórica. Foi primeiro jurídico (privatista e publicístico) com Rousseau; depois econômico, com Ferguson, Smith, Saint-Simon e Marx, enfim, sociólogo, desde Comte, Spencer e Toennies.
Rousseau foi o filósofo que distinguiu com mais acuidade a Sociedade doEstado. Por Sociedade, entendeu ele o conjunto daqueles grupos fragmentários, daquelas “sociedades parciais”, onde, do conflito de interesses reinantes só se poder recolher a vontade de todos (volonté de tous), ao passo que o Estado vale como algo que exprime numa vontade geral (volonté générale), a única autêntica, captada, diretamente da relação indivíduo-Estado, sem nenhuma interposição oudesvirtuamento por parte dos interesses representados nos grupos sociais interpostos.
No socialismo utópico, nomeadamente com Saint-Simon, a Sociedade se define pelo seu teor econômico, pela existência de classes.
Proudhon, resvalando já para o anarquismo, vê no Estado a opressão organizada e na Sociedade a liberdade difusa.
Marx e Engels conservam a distinção conceitual entre Estado e Sociedade,deixando porém de tomar o Estado como se fora algo separado da Sociedade, que tivesse existência à parte, autônoma, como realidade externa, cujo exame já não lembrasse o que em si há de profundamente social, pois o Estado – advertem os marxistas – é produto da Sociedade, instrumento das contradições sociais, e só se explica como fase histórica, à luz do desenvolvimento da Sociedade e dosantagonismos de classe. O Estado não está fora da Sociedade, mas dentro, posto que se distinga da mesma.
A Sociologia, desde Comte e Spencer, forceja por apagar a antinomia Estado e Sociedade. Fazendo da Sociologia o estudo de toda a vida social, tanto da estática corno da dinâmica da Sociedade, reduz o sociólogo o Estado a uma das formas de Sociedade, caracterizada pela especificidade de seu fim – apromoção da ordem política, a organização coercitiva dos poderes sociais de decisão, em concomitância com outras sociedades, como as de natureza econômica, religiosa, educacional, linguística, etc.
A Sociedade, segundo Bobbio, tanto pode aparecer em oposição ao Estado como debaixo de sua égide. Daqui portanto esse conceito de Sociedade: “Conjunto de relações humanas intersubjetivas, anteriores,exteriores e contrárias ao Estado ou sujeitas a este.”
O Estado como ordem política da Sociedade é conhecido desde a antiguidade aos nossos dias. Todavia nem sempre teve essa denominação, nem tampouco encobriu a mesma realidade. A polis dos gregos ou a civitas e a respublica dos romanos eram vozes que traduziam a idéia de Estado, principalmente pelo aspecto de personificação do vínculo comunitário, deaderência imediata à ordem política e de cidadania.
Há pensadores que intentam caracterizar o Estado segundo posição predominantemente filosófica; outros realçam o lado jurídico e, por último, não faltam aqueles que levam mais em conta a formulação sociológica de seu conceito.
Aos primeiros pertence Hegel, que definiu o Estado como a “realidade da idéia moral”, a “substância ética consciente...
tracking img