Sobre pierre clastres-a sociedade contra o e$stado

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Luis Felipe da Silva
Pierre Clastres – A sociedade contra o Estado

Pierre Clastres, para desenvolver a discussão e defender sua tese, parte de um pressuposto de conflito ou contradição contido no próprio título da obra para antagonizar as “sociedades desenvolvidas” das “sociedades primitivas”. Observamos, analisando a ordem social das coisas, que, na prática, o Estado emana dasociedade e não a sociedade do Estado, desse modo o Estado vai ser necessário para preencher lacunas na sociedade, onde a sociedade não alcança ou não exerce poder coercitivo o Estado consegue satisfazer essas necessidades. Assim, o Estado é o aparelho regulador da sociedade, mas apenas quando a sociedade não for auto – suficiente para resolver suas questões. Se a sociedade for autônoma, que objetiverelações sociais mais próximas entre os indivíduos, grau de compartilhamento de valores maior e etc, ou seja, quando ela praticar relações sociais características do conceito durkheiminiano de “solidariedade mecânica” e quando a “consciência coletiva” for maior que as “consciências individuais” dos membros desta, não há necessidade de haver Estado, já que a ordem social impera coercitividade sobre osindivíduos através do respeito que estes tem pela moral, ética, tradição, valores e costumes compartilhados dentro dessa sociedade.
Cada um de nós traz efetivamente em si, interiorizado como a fé do crente, essa certeza de que a sociedade existe para o Estado. Como conceber a própria existência das sociedades primitivas, a não ser como espécies à margem da história universal, sobrevivênciasanacrônicas de uma fase distante e, em todos os lugares há muito ultrapassada? Reconhece-se aqui a outra face do etnocentrismo, a convicção complementar de que a história tem um sentido único, deque toda sociedade está condenada a inscrever-se nessa história e a percorrer suas etapas, que a partir da selvageria conduzem à civilização.(p.207)
Quando ele se refere ao tema do trabalho, usa muito opensamento de Marx e Engels para respaldar suas ideias e defender sua tese. O ponto chave da teoria de Marx e Engels, parte da noção básica do que seja trabalho e de que o trabalho é o ponto de origem, a pedra fundamental das relações sociais. Eles dizem, ontologicamente falando, que no exercício de suas atividades para a produção de sua existência, os homens foram se relacionando uns com osoutros, a fim de retirarem da natureza as “matérias primas” que viessem atender suas necessidades, surgindo assim a característica do: “ser social” do homem. E através das relações sociais, foram produzindo e reproduzindo sua existência, aprendendo novas técnicas e novos processos de obtenção do que precisavam, da sua vida material.
Clastres apresenta no texto como é produzida e reproduzida aideia de trabalho nas “sociedades desenvolvidas” e nas “sociedades primitivas”, e as características subsequentes à prática produtiva: economia, tecnologia e etc. A sociedade desenvolvida capitalista, vive da equiparação da economia de mercado, da acumulação e da produção de excedentes. Já a sociedade primitiva, procura buscar na natureza ou produzir algo que seja viável para atender a suanecessidade essencial imediata, sem produzir ou recolher excedentes, Clastres demonstra ser isso inconcebível em uma sociedade primitiva que se preocupa em atender tão somente sua demanda imediata.
Quanto ao ponto de vista tecnológico, o que vai condicionar o uso de determinada técnica, seja ela considerada avançada ou não, é o meio em que se vive e as necessidades geradas por esse meio. Para oautor, não existe a noção de que uma sociedade seja superior à outra pelo uso de técnicas consideradas avançadas ou não. Cada uma vai ser usada para suprir as necessidades oriundas do meio em que se vive. Ou seja, na cidade “desenvolvida”, usa – se o trator para arar a terra; na “primitiva”, pode se usar um carro de boi rústico para o mesmo fim, o que está explícito é que as duas técnicas usadas...
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