Sobre os contos na era moderna

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DARNTON, Robert
O grande massacre de gatos: e outros episódios da história cultural francesa;
Capitulo I – Histórias que os camponeses contam: o significado de mamãe ganso.

(p. 21) Problemática: O texto começa expondo uma problemática epistêmica acerca do século das luzes. Sendo, que temos razoável conhecimento acerca das luzes, ou melhor, do circulo intelectual que constituía esse fenômeno,os iluministas, como então, obter tal nível de conhecimento dos não iluminados, ou seja, da população comum desse período que não estava próxima dos debates entre os intelectuais da época.
(p. 23-26) Análise psicanalista: Os psicanalistas encontraram formas de analisar o conto de chapeuzinho vermelho, mediante símbolos escondidos, mecanismos psíquicos e motivos inconscientes, diz Darnton. Paraisso, o autor cita a análise de dois, do que ele julga “os melhores psicanalistas”, que encontra fazendo análise de contos, no caso, Erich Fromm e Bruno Bettelheim.
De primeira, Darnton classifica a análise do conto de chapeuzinho vermelho como equivocada, fazendo alusões a um plano mental que nunca existiu no período ao qual pertence esse conto. Uma pena, que a parte do texto em que Darnton serefere a análise de Fromm não contem a argumentação que fundamenta a análise do mesmo, mas somente sua tese sobre o significado que possui o conto para a população da época, no entanto, a objeção de Darnton em relação ao psicanalista, parte do tipo de abordagem feita sem considerar a transformação histórica que este conto sofreu, desde sua existência como tradição oral em meio ao campesinatofrancês, sua modificação por Charles Perrault, quando é introduzido na cultura escrita, até finalmente ser apropriado pelos irmãos Grimm dos huguenotes franceses que, por sua vez, liam Perroult e outros escritores de contos.
Bettelheim, faz sua análise usando mais intensamente as categorias freudianas, como id, ego e superego e, assim como Fromm, ignora o que Darnton encara como imprescindível:
“Nãoquestiona suas origens nem se preocupa com outros significados que possam ter tido em outros contextos, porque sabe como a alma funciona e como sempre funcionou. Na verdade, no entanto, os contos populares são documentos históricos. Surgiram ao longo de muitos séculos e sofreram diferentes transformações, em diferentes tradições culturais. Longe de expressarem as imutáveis operações do ser internodo homem, sugerem que as próprias mentalidades mudaram”. (p.26)
A exame psicanalista do conto, do qual Bettelheim foi um dos últimos a se aventurar, ignorou, sobretudo, a constituição do conto enquanto fonte produzida historicamente.
Ponto importante para salientar no texto de Darnton, do qual podemos verificar no excerto acima, é a categoria mentalidade, ou como também usado, universo mental.Este conceito aparece como sendo contrário a concepção de universo mental proposta pelos dois psicanalistas anteriormente citados, não são mecanismos ou aspectos da mente humana que são intrínsecos a ela, ou imutáveis, mas são, pelo visto, traços que perduram no nível da longa duração, de forma inconsciente na mente e na estrutura social a qual pertence o indivíduo. A principio, Darnton semanifesta de forma negativa ao estabelecimento de leis no campo da História, mesmo que essas não sejam propriamente leis da História, mas na História. (Paul Veyne – Como se escreve a História?)
(p.39) Contos: Um mundo de brutalidade nua e crua. “Longe de ocultar sua mensagem com símbolos, os contadores de histórias do século XVIII, na França, retratavam um mundo de brutalidade nua e crua”.
(p.29-32)Como os historiadores podem entender esse mundo? Para o historiador entender o mundo no qual se dão os contos, é necessário, segundo Darnton, duas disciplinas: a antropologia e o folclore. No trabalho de campo, a antropologia possui técnicas muito uteis para o estudo da cultura oral. A análise, geralmente tem como metodologia a relação entre o conto e a arte de narrar historias, e a relação dos...
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