Sistema de manufatura flexivel

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O MODELO JAPONÊS

EM DEBATE:

pós-fordismo ou

japonização do fordismo

 

Stephen Wood

 

“Defendemos que uma análise da organização industrial pós fordista deve considerar seriamente as profundas transformações ria produção e nas relações de trabalho que ocorreram no Japão durante as últimas quatro décadas.” (Kenny e Florida, 1989, p. 142)

Seja qual for asituação da produção em massa no Ocidente, ela está viva e próspera no Japão (...) Um exame, mesmo superficial, dos novos produtos de consumo revela que a produção em massa não está em declínio, mas em expansão, particularmente no Japão.” (Sayer, 1989, pp. 668-670)

 

“Os fabricantes japoneses podem não ter ainda convergido para um, modelo puro de especialização flexível; comomuitos experimentos ocidentais de reorganização industrial, porém, eles se desenvolveram muito além de uma concepção alternativa de neofordismo ou de produção flexível em massa.” (Hirst e Zeitlin, 1990, p. 34)

Introdução

 
O fordismo emergiu nos anos 70 como elemento central nos debates da sociologia do trabalho, estimulado, em grande parte, (a) pela teoria da desqualificaçãode Braverman (1974), que provocou uma controvérsia sobre o processo de trabalho, e (b) pela escola francesa da regulação, com sua interpretação da crise capitalista como uma ‘crise do fordismo’. Mais recentemente, -conceitos como os de especialização flexível e pós-fordismo têm assumido o primeiro plano. O centro do debate tem se deslocado, portanto, da desqualificação para a flexibilidade, aqualificação polivalente e a organização coletiva, que vêm sendo chamadas, nos círculos gerenciais, de trabalho em equipe. Assim como o fordismo trouxe novo ímpeto a boa parte da sociologia do trabalho nos anos 70 e inicio dos 80, o conceito de pós-fordismo promete agora ter o mesmo efeito.
 
A atenção prestada ao Japão tem sido igualmente significativa parva sociologia do trabalho,particularmente no que diz respeito à importância que as formas de organização do -trabalho e as relações industriais vêm recebendo nas tentativas de compreender o notável desempenho econômico do país. No início dos anos 70, o livro de Dore, British factory, Japanese factory (1974), reanimou a sociologia do trabalho e reacendeu o interesse pelo tema da convergência. Nos últimos anos, o exemplojaponês trouxe novo alento ao debate sobre o processo de trabalho, pelo menos na Grã-Bretanha, desde que alguns comentadores descobriram o que vieram a chamar de ‘japonização’ da organização do trabalho (Oliver e Wilkinson, 1988). Sem dúvida, é ainda prematuro e, talvez, conceitualmente um tanto simplista defender essa idéia (Wood, 1991); mas não é de todo irrealista - pelo menos na Grã-Bretanha,novamente - falar de uma substancial ‘japonização’ da teoria do processo de trabalho, embora isso também possa ser um pouco exagerado.
 
Cada vez mais associados ao pós-fordismo, o Japão e a difusão de seus métodos de organização têm ocupado uma posição central em boa parte da ciência social moderna. O problema, então, é se os métodos e práticas japoneses significam uma ruptura com ofordismo, conforme afirmaram, entre outros, Tolliday e Zeitlin (1986, p. 28). Trata-se de saber se esses métodos e práticas modificam radicalmente ‘princípios centrais’ do fordismo e introduzem um sistema de produção qualitativamente novo, a que Zeitlin e Tolliday preferem chamar - seguindo Piore e Sabel (1984) - de especialização flexível, em vez de pós-fordismo. Ou se, ao contrário, os métodos sãouma continuação, um aperfeiçoamento, do fordismo, implicando talvez ‘grande avanço’ na mesma direção dos sistemas fordistas (ibid, p. 20). Neste caso, teríamos uma espécie de ‘japonização’ do fordismo.
 
Roobeck (1987), criador da expressão ‘japonização do fordismo’, referia-se especialmente à maneira como o fordismo se desenvolveu no Japão em um contexto muito diferente daquele...
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