Sinopse da obra: cidade de deus.

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  • Publicado : 5 de dezembro de 2012
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Livro: CIDADE DE DEUS
Cidade de Deus (1997) é o romance que deu a Paulo Lins status de escritor de alcance nacional. É claro que isso aconteceu também pela adaptação do romance ao cinema, em 2002, sob a direção de Fernando Meireles, embora o livro tenha alguma qualidade por conta própria.
Paulo Lins nasceu em 1958 e, antes desse romance, já havia publicado um livro de poesia pela UFRJ,intitulado Sobre o sol, em 1986, resultado de sua participação da Cooperativa de Poetas, que colabora para a edição dos trabalhos literários de poetas independentes. Ex-favelado, morador do bairro Cidade de Deus, no subúrbio carioca, Paulo Lins aproveitou-se dessa experiência de vida para escrever seu romance mais audacioso em termos de conteúdo e mesmo de linguagem, seja pela forma solta, seja pelacoloquialidade, mas também pelos elementos poéticos disseminados aqui e ali, como que abrandando a temática dura e complexa do livro.
Basicamente, seu objetivo é o de narrar à trajetória do bairro homônimo do título, que passou de moradia de trabalhadores, nos anos 1960, a nascedouro da criminalidade de pequenos malandros e vagabundos e a ascensão do crime organizado, baseado em roubos, comércio dedrogas e assaltos a bancos.
A experiência de vida do autor no lugar o ajudou a compor o romance, mas ele também se aproveitou de sua participação em uma pesquisa antropológica sobre a criminalidade e as classes populares no Rio de Janeiro, o que lhe permitiu uma visão mais ampla e mais técnica sobre o assunto. O romance também é resultado de uma bolsa de estudos que obteve da Fundação Vitae, queapoia pesquisas e produção na área cultural.

A leitura de Cidade de Deus não é particularmente A leitura de Cidade de Deus não é particularmente simples, tendo em vista a multiplicidade de acontecimentos, de lembranças, de alusões e referências internas. Isso para a construção. Tal simbiose de acontecimentos fez alguns críticos aproximarem a narrativa de Paulo Lins à de Guimarães Rosa, porque sãohistórias que correm dentro de outras histórias, numa sucessão que faz o leitor desatento perder o fio da meada, os liames do enredo. Mas, obviamente outros aspectos são bem diversos num e noutro escritor, com muita vantagem para o escritor mineiro.
Outro ponto de contato se dá por conta da temática, voltada para a perspectiva dos marginalizados. Ao se fazer isso, encontra-se como referência naliteratura, ainda mais o registro carioca, a figura de Lima Barreto, que se voltou para o indivíduo suburbano desqualificado, socialmente falando.
No que diz respeito à tematização da violência gratuita na literatura, a referência é outro carioca, Rubem Fonseca, cujo hiper-realismo deve ter servido de inspiração a Paulo Lins. O grande problema nas quase 500 páginas do livro é a excessivarepetição de situações que tendem a cansar o leitor.
Basicamente, a narrativa se resume aos atos de malandros que se organizam para fazer pequenos assaltos, malandros que “cheiram” e fumam para comemorar os assaltos e policiais (alguns tão bandidos quanto) que saem em busca dos malandros, ora para prendê-los, ora para matá-los, ora para extorqui-los.
Sem contar o sem-número de palavrões, o sem-número desituações que rebaixam o ser humano a um animal que tenta sobreviver em uma selva urbana.
Nesse sentido, o livro tem um quê de naturalista, pela expressão nua e crua, sem, é claro, a preocupação cientificista que caracterizava o Naturalismo do século XIX. No entanto, essa exposição explícita da criminalidade, com linguagem solta e sem meios-termos, também sugere que o livro é mais realista que aprópria realidade, se é que não poderíamos dizer que é exagerado. É preciso, pois, um pouco de desprendimento moral e paciência para a toda hora ler os palavrões, os diversos modos de fazer sexo, os diversos modos de enganar, roubar, matar. Um leitor mais sem paciência diria logo que se trata de lixo cultural.
Outro pode descortinar, com boa vontade, valor na narração da vida bandida, pelo que...
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