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Novas Leituras 9
Alice Amaro

AUTO DA BARCA DO INFERNO
Cena do Parvo

NOVAS LEITURAS 9 | Alice Amaro

Escola _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _
________________________________
Nome _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ Nº _ _ _ Turma _ _ _
____________________ . ___
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Leitura
Antes de ler
1. Repara na seguinte entrada de um dicionário.
parvoadj. 1 pouco inteligente 2 insensato 3 tolo, pateta 4 pequeno
n.m. 1 indivíduo que revela falta de inteligência e de bom senso 2 indivíduo cujo comportamento é considerado desagradável e irritante

1.1. Dos significados da palavra ”parvo”, indica aquele que caiu em desuso.
APRENDE

A palavra “parvo” evoluiu semanticamente, perdendo o sentido físico,
fixando-se quase exclusivamente nosentido moral.
2. Para saberes mais sobre o Parvo de Gil Vicente, lê os textos seguintes.

Nos Parvos de Gil Vicente, nenhuma dúvida existe. São dementes
de verdade, profundamente marcados pelo automatismo verbal,
embora o poeta lance mãos da sua simpleza para dizer, a rir, coisas
audaciosas. No fundo, o parvo é uma criança grande.

Edições ASA, 2013

In Introdução Histórica à Vidência doTempo e da Morte, Mário Martins,
Livraria Cruz, 1969

O Parvo, que se convertera em uma espécie de comentador, independentemente da ação, punha à mostra, com os seus disparates, o ridículo das
personagens convencidas do seu papel. Em Gil Vicente não é outra a sua
função: o Parvo nunca se apresenta a si próprio, e nunca é observado pelo
interesse que em si mesmo possa oferecer. A sua funçãoconstante é obter
efeitos cómicos, a coberto da irresponsabilidade, de situações alheias a
ele. Na Barca do Inferno comenta as pretensões de alguns condenados que
têm a simplicidade de não se considerarem tais […].
In Gil Vicente e o Fim do Teatro Medieval, António José Saraiva,
Livraria Bertrand, 1981

2

NOVAS LEITURAS 9 | Alice Amaro

Vem Joane, o Parvo, e diz ao Arrais do Inferno:
Joa:Hou daquesta1!

Dia:

Quem é?

Joa:

Eu sô.
É esta a naviarra2 nossa?

5

Dia: De quem?
Joa:

Dos tolos
Vossa3.

Dia:
Entra!
Joa:

De pulo ou de vôo?
Hou! Pesar de meu avô4!

10

Soma5: vim adoecer
e fui má-hora a morrer,
e nela, pera mi só6.
Dia:
15

De que morreste?

Joa:

De quê?
7

Samicas de caganeira.
Dia: De quê?
De cagamerdeira,
má ravugem8que te dê!
20

Dia: Entra! Põe aqui o pé!
Joa:

Houlá! Num tombe o zambuco9!

Dia: Entra, tolaço enuco10,
que se nos vai a maré!
Joa:
25

Aguardai, aguardai, houlá!
E onde havemos nós d’ir ter?

Dia: Ao porto de Lucifer.
Joa:
Dia:
Joa:
30

3. Ela é vossa.
5. em suma, enfim

Ò11 Inferno! Entra cá!
12

Ò Inferno? Eramá !
Hiu! Hiu! Barca do cornudo.
Pero Vinagre ,beiçudo,
rachador d’Alverca, huhá!

Edições ASA, 2013

2. navio grande; barca reles
4. Com mil diabos!

Ha-a-a…

13

Çapateiro da Candosa!
Antrecosto do carrapato14!
35

1. Ó da casa!

Hiu! Hiu! Caga no çapato,
filho da grande aleivosa15!

6. a hora da morte foi só para

mim
7. talvez
8. espécie de sarna
9. pequena embarcação (neste

caso, com sentido
depreciativo)
10. homemcastrado
11. ou
12. Em má hora!
13. personagem popular da
época
14. espinhaço de piolho
15. falsa, adúltera, depravada

3

NOVAS LEITURAS 9 | Alice Amaro

Tua mulher é tinhosa
e há-de parir um çapo
chentado16 no guardenapo!
Neto de cagarrinhosa17!

40

16. colocado, posto
17. termos injuriosos,

depreciativos e obscenos
18. insulto, praga
19. Aguenta-te com esta

praga!20. palrador, tagarela

Furta-cebola! Hiu! Hiu!
Escomungado nas erguejas!
Burrela17, cornudo sejas!
Toma o pão que te caío!
A mulher que te fugio
per’a Ilha da Madeira!
Cornudo atá mangueira17,

45

21. talvez
22. atos, trabalhos
23. maldade
24. simplicidade, inocência,

ingenuidade
25. de acordo com a doutrina

da Igreja, os pobres de
espírito estão isentos de
culpa...
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