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Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos
OS CAMPOS LÉXICOS DO TESTAMENTO DE D. AFONSO II
Evanice Ramos Lima Barreto (UFBA/FACE) evanyce@ig.com.br
RESUMO Este trabalho apresenta um estudo do léxico do português arcaico, a partir do levantamento de lexias encontradas no Testamento de D. Afonso II (1214). Para tanto, recorreu-se à teoria do campo léxico proposta por EugênioCoseriu (1967), que propõe uma análise estrutural do léxico, determinando o campo lexical dentro de estruturas lexemáticas, em que os lexemas integram um sistema de oposições. Assim, procurou-se levantar e descrever as lexias do português arcaico através do Testamento de D. Afonso II; confrontar a acepção apresentada nos dicionários contemporâneos e nos etimológicos, a fim de verificar se a lexia sofreualterações no significado ou na forma e averiguar o conhecimento e o uso dessas lexias pelos jovens e adultos na atualidade, a partir de pesquisa com informantes de três faixas etárias (15-30 anos, 31-46 anos e + de 46 anos). Para tanto, utilizouse a versão do Testamento de D. Afonso II que foi enviada à Mitra de Braga e editada por Costa (1975). Palavras-chave: Léxico. Português. Arcaico.Testamento de D. Afonso II.

INTRODUÇÃO O estudo sistematizado do léxico tem sua origem desde a antiguidade clássica. Inicialmente a investigação do léxico foi tratada pela Lexicologia e pela Lexicografia, tendo como finalidade apenas descrevê-lo. Confundida muitas vezes com a Lexicografia, a Lexicologia difere-se desta por dedicar-se mais intensamente à investigação do léxico. A Lexicologia, deacordo com Oliveira e Isquerdo (2001), preocupa-se com os problemas teóricos que fundamentam o estudo científico do léxico, já a Lexicografia ocupa-se das técnicas de elaboração dos dicionários, do estudo da descrição da língua, das obras lexicográficas. O léxico corresponde ao vocabulário de uma língua, ao elenco de palavras de uma língua. Em sentido estrito, é o conjunto de entradas lexicais de umalíngua que, embora regido por regras, é altamente criativo e dinâmico. Para Biderman (2001), o léxico compreende um universo amplo de limites imprecisos e indefinidos. Resulta da experiência acumulada pela sociedade e do seu acervo cultural ao
Revista Philologus, Ano 16, N° 46. Rio de Janeiro: CiFEFiL, jan./abr.2010 65

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longo dos anos,sendo perpetuado e reelaborado continuamente pelos membros dessa sociedade, os sujeitos-agentes. Conforme Martinet (1975), em função das necessidades comunicativas, do progresso intelectual, social e econômico, a língua encontra-se em constante mutação, tendo, dessa forma, um caráter dinâmico por natureza. O léxico é o nível da língua que mais reflete esse aspecto, sendo ele o mais passível demutações, pois, devido às constantes mudanças sociais e culturais, nesse processo de reelaboração, muitas lexias se contraem ou entram em desuso, chegando até mesmo ao desaparecimento, ao passo que muitas delas também podem voltar a aparecer, apresentando uma nova conotação.

1. O campo léxico O léxico de qualquer língua é constituído por um conjunto de lexias que mantêm diferentes tipos de relaçõesentre si. Cada elemento desse conjunto pode manter uma relação semântica de oposição direta com um determinado número de lexias e formar com elas classes mais ou menos hierarquizadas e homogêneas. Corresponde a uma estrutura paradigmática, composta de itens lexicais que compartilham uma zona de significação comum e que se encontram em oposição imediata uns com os outros, a qual se denomina campoléxico. A noção de campo, conforme Geckeler (1976), já se encontra presente nos estudos linguísticos desde o século XIX, a partir dos trabalhos de Humboldt, que considerava a articulação a característica mais geral e mais profunda de toda a língua. De acordo com Geckeler (1976), outros linguistas, como Ipsen (1924), Jolles (1934), e Porzig (1934) também apresentaram um conceito de campo em seus...
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