Sexo e a esquizofrenia

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  • Publicado : 19 de novembro de 2012
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A proposta deste artigo é dar uma visão global e sucinta do papel do gênero em vários aspectos do transtorno esquizofrênico, e justificar por que esse tema tornou-se freqüente na literatura psiquiátrica nessa última década.



Epidemiologia e aspectos clínicos das diferenças entre os sexos

O ponto de origem dessa discussão foi a observação de que os homens têm uma idade de início dadoença mais precoce que as mulheres. Essa observação pode ser considerada um dos achados mais consistentes de pesquisa em esquizofrenia, e independe do critério utilizado para início da doença.1 Em geral, os homens têm um início em torno dos 18-25 anos e as mulheres em torno dos 25-35 anos. Essa diferença vai depender do critério diagnóstico utilizado para esquizofrenia. No início da adolescência, arazão homem/mulher é 2:1. Após os 50 anos, essa proporção se inverte e aproximadamente 3% a 10% das mulheres iniciam a doença após os 45 anos.2

Em relação à história natural da doença, estudos de seguimento mostram que o sexo é um importante fator preditivo no curso e na evolução da esquizofrenia. Independentemente da medida de desfecho clínico – tempo de permanência no hospital, número derecaídas, remissão de sintomas, adaptação social e número de suicídios –, as mulheres mostram um melhor desempenho que os homens.3

A pior evolução no sexo masculino pode estar relacionada à maior freqüência de fatores associados ao pior prognóstico na esquizofrenia – personalidade pré-mórbida mais comprometida, probabilidade maior de permanecer solteiro, idade de início mais precoce, sintomasnegativos, pior resposta ao tratamento e alterações cerebrais estruturais.3



Hipóteses etiológicas

Existem várias teorias para justificar os achados epidemiológicos, mas a mais documentada é a de que o estrógeno atua como um fator protetor nas mulheres.

Desde o início dos anos 80, Seeman4-6 desenvolve uma teoria de que as diferenças entre os sexos na esquizofrenia estariam associadas adois fatores principais. Primeiro, existiriam diferenças no desenvolvimento cerebral intra-uterino e, segundo, efeitos protetores do estrógeno agiriam no sexo feminino na vida adulta.

A velocidade do desenvolvimento cerebral intra-uterino é mais lenta no sexo masculino7 e esse processo parece estar associado à ação da testosterona no período da gestação.8 A maturação cerebral mais precocelevaria a uma menor suscetibilidade aos traumas de nascimento nas mulheres. Essa ausência de proteção no sexo masculino pode ser um dos fatores responsáveis pela diferença mais constante encontrada na esquizofrenia – a idade de início da doença mais precoce nos homens.4 Outra possível conseqüência do trauma de nascimento são as anormalidades estruturais cerebrais,9 que estão mais associadas ao sexomasculino: idade de início mais precoce, sintomas negativos, alargamento dos ventrículos cerebrais, gravidade e cronicidade da doença.10-12

Häfner et al13 realizaram um estudo experimental em ratas e demonstraram como o estradiol é importante no sistema dopaminérgico durante o desenvolvimento cerebral, diminuindo o número de receptores D2 disponíveis no cérebro.

Durante a vida adulta, osestrógenos teriam um efeito protetor nas mulheres pelos seus efeitos antidopaminérgicos e pela propriedade de aumentar as respostas dos neurolépticos.7 Riecher-Rossler et al14 mostraram que há uma associação inversa entre a sintomatologia e o nível de estradiol em pacientes esquizofrênicas internadas – quando os níveis de estradiol aumentavam havia uma melhora da sintomatologia psicótica. Esse achadopoderá influenciar o tratamento e a prevenção de crises psicóticas. As doses de neurolépticos poderão ser adaptadas aos dias do ciclo menstrual, além da possibilidade de serem empregadas doses menores no tratamento agudo e de manutenção. Esses autores aventam a possibilidade de que no climatério poderia haver conjuntamente um tratamento hormonal de substituição, semelhante ao usado contra a...
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