Serviço social capital feitiche

SERVIÇO SOCIAL EM TEMPO DE CAPITAL FETICHE – CAPITAL FINANCEIRO, TRABALHO E QUESTÃO SOCIAL”

Editora Cortez, São Paulo, 2007
Autora: Marilda Vilela Iamamotto


Capítulo II – Capital fetiche,Questão Social e Serviço Social

A estruturação da economia capitalista mundial, após a Guerra Fria e no alvorecer do século XXI, sob a hegemonia do império norte-americano, sofre profundas mudançasna sua conformação. A efetiva mundialização da “sociedade global” é acionada pelos grandes grupos individuais transnacionais articulados no mundo das finanças. Este tem como suporte as instituiçõesfinanceiras que passam a operar com o capital que rende juros (bancos, companhias de seguros, fundos de pensão, fundos mútuos e sociedades financeiras de investimento), apoiados na dívida pública e nomercado acionário das empresas. Esse processo impulsionado pelos organismos multilaterais captura os Estados Nacionais e o espaço mundial atribuindo um caráter cosmopolita à produção e consumo de todosos países. O capital financeiro assume o comando do processo de acumulação e, mediante inéditos processos sociais, envolve a economia e a sociedade, a política e a cultura, vincando profundamente asformas de sociabilidade e o jogo das forças sociais.


1) Mundialização da economia, capital financeiro e questão social

A mundialização da economia está ancorada nos grupos individuaistransnacionais, resultantes de processos de fusões e aquisições de empresas em um contexto de desregulamentação e liberalização da economia.Essa denominação é impensável sem a intervenção política e apoioefetivo dos Estados Nacionais, pois só na vulgata neoliberal o Estado é externo aos “mercados”. Nesse novo estágio de desenvolvimento do capital redefinem-se as soberanias nacionais, com a presença decorporações transnacionais e organizações multilaterais – o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio, a “santíssima trindade do capital em geral” – principais...