Sentido do pensar de nosso tempo gnoseologia, ontologia ...

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Capítulo IV
Sentido do Pensar de Nosso Tempo — Gnoseologia,
Ontologia e Ontognoseologia
Predomínio do problema do ser até o Renascimento.................................. 43
A Filosofia moderna e o problema do conhecer......................................... 45
A correlação sujeito-objeto e o problema do ser......................................... 49Capítulo IV




Sentido do Pensar de Nosso Tempo — Gnoseologia, Ontologia e Ontognoseologia






Predomínio do Problema do Ser até o Renascimento


13. Já apresentamos alguns dos problemas fundamentais da Filosofia. Não alinhamos todos, pois apenas tentamos dar uma idéia geral sobre os máximos problemas que preocupam os filósofos. Vimos que a Filosofia, entre outras questões,trata da Teoria do Conhecimento e da Teoria da Conduta, buscando alcançar uma explicação geral do universo e da vida, que a nosso ver deve ser vista como Metafísica, enquanto outros a apresentam como estudo de natureza empírica ou "meta-empírica", eufemismo curioso com o qual se pretende encobrir a inelutabilidade da especulação metafísica.
Não pretendemos fazer uma classificação dos sistemas deFilosofia, porquanto qualquer discriminação nesta matéria implica, previamente, a situação de cada pensador. Se nos colocamos no ponto de vista do criticismo de Kant, a Filosofia se discrimina de uma forma que não coincide com a preferida por quem seja adepto, por exemplo, do utilitarismo de Bentham, ou das perspectivas neopositivistas.
Situados os problemas da Filosofia de maneira geral,passemos ao estudo da Gnoseologia, fixando preliminarmente alguns dados históricos.
Uma introdução sobre a Gnoseologia será de grande vantagem, não só porque fornecerá maior segurança terminológica, como também porque poderá auxiliar a lembrança de noções já aprendidas em cursos ou leituras de Filosofia.
A Gnoseologia é, como dissemos, a parte da Ontognoseologia que trata da validade doconhecimento em função do sujeito cognoscente. Alguns autores, cuidando dessa matéria, dizem que a teoria do conhecimento aparece propriamente com Kant. Tal afirmação não pode ser aceita sem algum reparo. Não é exato dizer-se, a nosso ver, que a Gnoseologia tenha se constituído como parte autônoma da Filosofia graças ao criticismo kantiano. Kant marca um ponto culminante de um processo de pensamento, quejá encontra suas raízes no próprio período clássico c no medieval.
Cabe aqui discriminar três fases do pensamento filosófico, segundo o predomínio maior ou menor que nelas apresente o problema do conhecimento como problema autônomo, em relação à especulação propriamente metafísica. Nem é demais ponderar, uma vez por todas, que muitos problemas da Gnoseologia são repropostos pela Metafísica,mas com outros entendimentos e intuitos, transcendendo a funcionalidade sujeito-objeto que delimita quaisquer pesquisas de natureza ontognoseológica.
Se examinamos a Filosofia clássica, assim como a medieval, verificamos que, de Sócrates a São Tomás de Aquino, o problema que se põe de maneira prevalecente é o que diz respeito ao ser como ser.
A Filosofia dos gregos, assim como a Filosofiada Idade Média, foi, acima de tudo, uma Ontologia, empregado este termo no seu sentido lato ou tradicional, ou seja, na acepção de teoria do ser em geral, ou parte geral da Metafísica, e não na significação estrita a que fizemos referência no capítulo anterior.
Não dizemos — entendamo-nos — que a Filosofia clássica ou medieval tenha sido apenas Metafísica, mas dizemos que foi, acima de tudo, deordem metafísica. Também os gregos tiveram consciência de que havia um problema relativo às possibilidades e aos limites do conhecimento humano. Bastaria lembrar, aqui, os céticos, e, antes dos céticos, os sofistas e os pré-socráticos. Bastaria recordar toda a alta produção platônico-aristotélica, ou a dos epicuristas e dos estóicos, para termos uma idéia de que os gregos, muito cedo e...
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