Senso comum, mito e filosofia

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O SENSO COMUM, O MITO E A FILOSOFIA Prof. Marcelo José Caetano

INTRODUÇÃO: Aristóteles, em sua Metafísica (I, 1), afirma que “no vigor de sua constituição ontológica, o homem deseja ardentemente conhecer”. Para este filósofo, a “natureza” humana é regulada por este desejo ardente. Contudo, o que é conhecer? Que relações existem entre o conhecimento que obtemos (ou construímos) sobre as coisase a aquisição da verdade? O que é a verdade? É possível alcançarmos a verdade plena sobre as coisas que constituem nosso mundo? Segundo Buzzi (1997), o início do processo de conhecimento está na intuição sensível. Para ele, “tudo o que se dá na intuição deve ser simplesmente recebido e trabalhado no interior dos limites de nossas possibilidades” (1997, p. 82). Do que afirma o filósofo, podemosdizer que aquilo que conhecemos sobre as coisas é apreendido, inicialmente, por nossos órgãos sensoriais. Em outras palavras, nosso primeiro contato com o mundo e com as coisas é proporcionado pelos sentidos e depende de nossas vivências, do que somos frente ao mundo e aos outros homens e mulheres. Depois da intuição sensível existe a memória que conserva e lembra o que foi alcançado pelos sentidos.A memória, como afirmava São Tomás de Aquino, “é o tesouro e o lugar de conservação das imagens”. Através dela, as coisas são “experimentadas na lembrança e nas representações afins da lembrança” (Husserl). Finalmente, o terceiro passo constituinte do conhecimento: a experiência. Ela é a síntese ordenada do material das intuições sensíveis e da memória e ponto de partida para conhecimentos maiselaborados, como são as artes e as ciências. Quando podemos dizer que conhecemos alguma coisa? O que é conhecer?

Qual é o papel dos órgãos sensoriais na relação sujeito/objeto? E da razão? Que relações existem entre o conhecimento que obtemos (ou construímos) sobre as coisas e a aquisição da verdade? O que é a verdade? É possível alcançarmos a verdade plena sobre as coisas que constituem nossomundo?

O QUE É SENSO COMUM É certo que não conheceremos o real em sua totalidade. E é provável que já tenhamos nos enganado e que nossos juízos, vez ou outra, tenham nos levado a equívocos sobre o significado de muitas coisas. Não somos infalíveis. Não alcançaremos ou não conheceremos a verdade absoluta. Contudo, temos uma compreensão do que é real e do que é ilusório, isto é, possuímos umacompreensão, uma faculdade de apreciar e conhecer nosso mundo e a nós mesmos. É o que se pode denominar conhecimento. Nossas perguntas e as respostas que elaboramos fazem parte de um repertório de saberes que nos permite conviver com as pessoas e as coisas. Ele define nosso entendimento e nossa faculdade de tecer juízos diversos. Como uma bússola, ele nos possibilita reconhecer objetos e pessoas,instituições, valores e princípios, ou seja, tudo o que faz parte de nossa realidade. Reconhecemos as coisas e lidamos com elas. Temos crenças e interesses. Acreditamos nas instituições que fazem parte de nosso cotidiano. Nós possuímos acepções que têm um caráter prático e que nos permitem agir no mundo. É o nosso senso comum. Segundo ABBAGNANO (1998), o senso comum se relaciona ou se identifica comas interações entre os seres vivos e o meio ambiente e tem o fim de realizar objetos de uso e de fruição. Para ele, os símbolos empregados são determinados pela cultura corrente de um grupo e formam um sistema de conhecimento. Este sistema é constituído por tradições, profissões, técnicas, interesses e instituições estabeleci-

das no grupo. Ele é regulado pelas circunstâncias, valores, emoçõese opiniões de quem os produz. Entretanto, fica no imediato das coisas e não tem como exigência para o seu funcionamento a necessidade de ser objetivo ou ser antecedido pelo questionamento ou pela investigação. Vamos pensar, como nos convida Rubem Alves, em uma pessoa comum. Alguém que não passou por um treinamento científico: Ela é uma dona de casa. Pega o dinheiro e vai à feira. Não se formou...
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