Sem medo de viver

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Sem medo
de viver

Capa:
Kátia Cabello

Revisão c Editoração Eletrônica:
João Carlos de Pinho

Eoto 4ª capa:
Renato Cirone

2ª edição
28ª impressão
Maio ● 2004
10.000 exemplares

Publicação, Distribuição
Impressão e Acabamento
CENTRO DE ESTUDOS
VIDA & CONSCIÊNCIA EDITORA LTDA.

Rua Agostinho Gomes, 2312
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Zibia Gasparetto
ditado por Lucius

Sem medo
de viver

Prólogo

S

érgio chegou em casa muito nervoso. Esperara tanto tempo por aquela promoção e agora, quando tudo indicava que ela aconteceria, outro tomara-lhe o lugar.

Fechou a porta do pequeno apartamento onde moravae deixou-se cair em uma poltrona da modesta sala, desanimado. De que lhe adiantara mourejar no trabalho com tanto empenho? De que lhe valera colocar os negócios da empresa em primeiro lugar, se na hora em que deveria colher a recompensa merecida passavam-no para trás?

Um sentimento de rancor o acometeu. Tanta dedicação e esforço haviam sido inúteis. Por que, para ele, as coisas saíamsempre erradas?

Passou a mão pelos cabelos num gesto impaciente. Tinha consciência de ter agido sempre com honestidade. Era uma pessoa decente e esforçada. Por que nada dava certo? Parecia que a vida se comprazia em destruir todos os seus sonhos desde a adolescência.

Havia desejado estudar, graduar-se em medicina, mas nunca conseguira condições financeiras para isso. Vinhade uma família muito pobre do interior de São Paulo. Seus pais nunca puderam financiar-lhe os estudos. Fez até o ginásio com muito esforço e aos quinze anos deixou a pequena cidade onde nascera e veio para a capital na esperança de conseguir o que pretendia.

Tinha uma boa aparência e muita vontade de trabalhar. Depois de alguns dias conseguiu emprego em uma loja do centro da cidade comomensageiro. O salário era pequeno, mas para ele representava um bom começo. Arranjou vaga em uma pensão de um bairro afastado e todos os dias, antes das sete, já se pendurava no estribo do bonde para entrar na loja pontualmente às oito.

Durante o dia inteiro, até as dezoito e trinta, envergando a fardinha com o emblema da loja, ele ia e vinha, fazendo entregas, comprando pequenascoisas, indo ao banco, ao correio, com diligência e boa vontade. No princípio havia sido duro, porque ele não conhecia a cidade. Mas comprou um guia e dentro de poucas semanas já circulava por todos os lugares muito bem.

Logo descobriu que o salário que lhe parecera uma fortuna mal dava para cobrir-lhe as despesas indispensáveis. O sonho de poder estudar ficava mais distante a cada dia.Decidiu procurar outro emprego, mas era muito jovem e teve de sujeitar-se a trabalhar naquele serviço durante três anos, até que completasse dezoito anos.

Conseguiu fazer um curso noturno de datilografia e passou a procurar outro emprego. Descobriu que para passar nos testes a que era submetido teria de praticar melhor a datilografia e estudar um pouco mais de matemática. Arranjou umestudante, colega de pensão, para dar-lhe algumas aulas e conseguiu treinar a datilografia em casa da vizinha, que possuía uma máquina e o deixava usá-la à noite.

Sérgio suspirou recordando-se de sua alegria quando conseguiu ir trabalhar no escritório de uma fábrica de biscoitos. Além de ganhar mais, seria um escriturário. Sentiu-se feliz. Ele estava ficando importante! Logo conseguiriarecursos para continuar os estudos. Naqueles tempos, imaginava cursar a faculdade, graduar-se e ser doutor! Ter o nome escrito em uma placa do lado de fora do seu consultório e ganhar dinheiro para poder ajudar a família.

Vicente, seu pai, era lavrador; Rita, sua mãe, mulher simples e trabalhadeira, bem como Dirce e Diva, suas irmãs mais novas. Havia ainda o irmão mais velho, Rubens,...
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