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Introdução


A
Emigração é um tipo de fenómeno social que em cabo-verde diferentemente de outros lugares, sempre possuiu relevância nas esferas política, económica, social e até cultural. A emigração enquanto fenómeno tem-se vindo a acentuar e a afirmar-se na sociedade cabo-verdiana deste do inicio da sua própria formação, e de tal forma que este é um factor preponderante para que severifique uma acelerada recomposição da estrutura social e das pessoas que concorrem para a formação do país no seu todo. Subjacentes à dinamização da emigração estão um conjunto de processos e causas que dou a conhecer neste trabalho de cultura, e portanto há que se ter em conta, que minha abordagem da temática é essencialmente cultural e histórica.

Desenvolvimento

O Cabo-verdiano cresce ouvidohistórias sobre a emigração no passado, lembro-me que minha avó cantava-me como sua irmã emigrou para São Tomé, numa época onde a emigração era a única janela para escapar as péssimas condições de vida presenciadas nas ilhas. A emigração está tão enraizada na nossa sociedade que tem uma dimensão cultural, ou seja há um pensamento colectivo de que é normal emigrar, mesmo que o contexto social eeconómico tenha mudado, ou seja mesmo que hoje não sofremos com os mesmos transtornos que os nossos antepassados sofreram por isso pode afirmar-se que “o cabo-verdiano já nasceu emigrante” ou, dito de outro modo, que a emigração é um dos fenómenos mais antigos e estáveis da sociedade cabo-verdiana, antecedendo em muitas décadas a independência. Neste sentido, Cabo Verde é um exemplo, de um Estado quenasce já transnacionalizado.
De facto, se pensamos, a emigração é de tal forma estrutural à formação da nação cabo-verdiana que, para podermos analisar correctamente e ter uma noção mais ampla da temática da emigração Cabo-verdiana contemporânea, se torna necessário conhecer antes o seu passado.
É a partir de meados do século XV que começa a dispersão dos nativos Cabo-verdianos, primeiro aemigração forçada, através da escravatura, e num segundo momento, emigração espontânea, a partir dos séculos XVIII-XIX, como recurso para corrigir as privações sentidas pelos habitantes do Arquipélago de Sahel. Paradoxalmente, Cabo Verde começou por ser terra de imigração dado que, como era um arquipélago desabitado à época das descobertas, num primeiro momento da sua história acolheu sucessivosfluxos de colonos, comerciantes e escravos.



O arquipélago era paragem para navios estrangeiros de comércio, possibilitando a realização de permutas comerciais (mais tarde também cultural) e um contacto com o estrangeiro, permitindo uma facilidade de saída de pessoas para o exterior. Iniciando-se desta forma a longa história migratória das ilhas, que conhece um dos primeiros momentos departicular expressão nos finais do século XVII e início do século XVIII, quando os cabo-verdianos começaram a Partir para a América. Iniciava-se a pesca da baleia e, desde então, a emigração tem levado cabo-verdianos a cerca de mais de 25 países no Mundo. Foi a partir de meados do século XIX que ela se transformou num importante factor de mudança social e económica, não só pela dimensão e pelacontinuidade dos fluxos mas, principalmente, pela forma específica de articulação que estabeleceu entre o arquipélago e as "economias" do Atlântico.
A partir de 1960, a emigração cabo-verdiana assume a Europa como destino principal. A conjuntura europeia favorável do pós-guerra alicia muitos cabo-verdianos para a Europa atraídos por um mercado de trabalho carenciado de mão-de-obra. A Holanda torna-se odestino em expansão, com uma especial incidência da Área Metropolitana de Roterdão como região de residência preferencial. Portugal acelera grandemente a sua capacidade de atrair novos migrantes, surgem outros destinos na Europa como Itália ou a França. Nos finais dos anos 60 encontram-se já legalmente registados cerca de 9.000 cabo-verdianos em Roterdão, alguns milhares residindo em Lisboa e na...
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