Satre

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 7 (1679 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 3 de abril de 2013
Ler documento completo
Amostra do texto
Sartre (1905-1980) - Sartre e o existencialismo

O existencialismo sartriano sofreu influências de Husserl, Heidegger, Jaspers e Max Scheler. Por meio deles chegou à obra de Kierkegaard (1813-1855), filósofo dinamarquês que pela primeira vez lançou o grito de combate contra a filosofia especulativa, opondo-lhe a filosofia existencial. Nessa nova atitude, o filósofo de “carne e osso” se incluia si mesmo no pensar, que até então se propunha objetivo e distanciado do vivido.
Jean-Paul Sartre escreveu sua principal obra filosófica O ser e o nada em 1943. Mas em 1938 já havia publicado o romance A náusea. Seu pensamento é muito conhecido e gerou, inclusive, uma “moda existencialista”, também pelo fato de Sartre ter se tornado um famoso romancista e teatrólogo, sua produção intelectualfoi fortemente marcada pela Segunda Guerra Mundial e pela ocupação nazista da França. Podemos dizer que há um Sartre de antes da guerra e outro de pós-guerra, de tal forma o impacto da Resistência Francesa agiu sobre sua concepção política de engajamento. A noção de engajamento significa a necessidade de um determinado pensador estar voltado para a análise da situação concreta em que vive,tornando-se solidário nos acontecimentos sociais e políticos de seu tempo. Pelo engajamento, a liberdade deixa de ser apenas imaginária e passa a estar situada e comprometida na ação. Assim, ao escrever a peça de teatro As moscas, que versa sobre o tema do mito grego de Orestes e Electra, Sartre na verdade faz uma alegoria à ocupação alemã em Paris. Com essa obra, inaugura o chamado “teatro de situação”.Ao lado de Simone de Beauvoir, também filósofa existencialista e sua companheira de toda a vida, Sartre participou da vida política não só da França, mas mundial. Apesar de marxista, nunca deixou de criticar o autoritarismo, sobretudo quando as forças soviéticas invadiram a Tchecoslováquia. Saía à rua em protestos e, com a impunidade que lhe conferia a sua figura de cidadão do mundo, vendia nasesquinas La Cause du Peuple (A Causa do Povo) jornal maoísta, sem que ninguém ousasse prendê-lo.
Sartre pertence á ala dos filósofos existencialistas ateus, entre os quais se inclui Merleau-Ponty; na ala cristã, está Gabriel Marcel.

“A existência precede a essência”

“A existência precede a essência.” Eis a frase fundamental do existencialismo. Para melhor compreender o significado dela, épreciso rever o que quer dizer essência. A essência e o que faz com que uma coisa seja o que é, e não outra coisa. Por exemplo, e essência de uma mesa é o ser mesmo da mesa, aquilo que faz com ela seja mesa e não cadeira. Não importa que seja de madeira, fórmica ou vidro, que seja grande ou pequena; importa que tenha as características que nos permitam usá-la como mesa.
No famoso texto Oexistencialismo é um humanismo, Sartre usa como exemplo um objeto fabricado qualquer, como um livro ou um corta-papel: neles a essência precede a existência; da mesma forma, se imaginamos um Deus criador, o identificamos a um artífice superior que cria o homem segundo um modelo, tal qual o artífice fabrica um corta-papel. Daí deriva a noção de que o homem tem uma natureza humana, encontrada igualmente emtodos os homens. Portanto, nessa concepção, a essência do homem precederia a existência. Não é essa, no entanto, a posição de Sartre ao afirmar que a essência precede a existência: “Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. O homem, tal como o concebe o existencialista, se não é definível, é porque primeiramente não é nada. Só depois seráalguma coisa e tal como a si próprio se fizer. Assim, não há natureza humana, visto que não há Deus para conceber. O homem não é, não apenas como ele se concebe, mas como ele quer que seja, como ele se concebe depois da existência, como ele se deseja após este impulso de existência; o homem não é mais que o que ele faz. Tal é o primeiro princípio do existencialismo”.

A liberdade e a angústia...
tracking img