Sartre e a ontologia fenomenológica

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SARTRE E A ONTOLOGIA FENOMENOLÓGICA(

Edson Fernando Meirelles(

RESUMO

 

Trata-se de apresentar os aspectos introdutórios da obra O ser e o nada – Ensaio de ontologia fenomenológica, de Jean-Paul Sartre, na qual é apresentada a questão fundamental da ontologia: o ser. No rastro do percurso empreendido pelo filósofo, o objetivo do artigo é apreender a nova interpretação feitapor Sartre do fenômeno humano. Para tanto, a leitura que aqui se faz, busca discutir a diferença entre dois modos de ser: ser-em-si (fenômeno) e ser-para-si (consciência). À luz dessa distinção, é possível compreender as razões que levaram o filósofo a redimensionar a questão do ser, à luz de dois planos intimamente relacionados: o ontológico e o fenomenológico.

Palavras-chave: ontologia,fenômeno, conhecimento, consciência, Sartre.

ABSTRACT

The present work examines introductory aspects of Jean-Paul Sartre’s Being and Nothingness - An Essay on Phenomenological Ontology, in which we can find the fundamental idea of the ontology: the being. By examining the development of the philosopher’s thought, I intend to identify his new interpretation of the human phenomenon. In order to do sothis paper tries do discuss the difference stressed by Sartre between two ways of being: the being-in-itself (the phenomenon) and the being-for-itself (the conscience). By the light of this distinction, it is possible to understand the reasons that guided him to dimension again the concept of being under the perspective of two closely related paths: the ontological one and the phenomenologicalone.

Key-words: ontology, phenomenon, knowledge, conscience, Sartre.

Introdução

A obra O ser e o nada, publicada em 1943, constitui um dos marcos fundamentais do pensamento do século 20, sintetiza a “filosofia existencial” da primeira fase do trabalho filosófico de Sartre, tendo exercido, como se sabe, grande influência em várias gerações e diversas áreas do saber contemporâneo. Defato, Sartre estudou a realidade humana de uma perspectiva que se afasta radicalmente do modo como a concebeu nossa tradição filosófica e pensou a existência a partir de como ela se manifesta concretamente.

Para quem pretende ler um filósofo da envergadura de Sartre, é necessário manter, antes de tudo, um diálogo constante com suas inquietações, dúvidas e questionamentos, que também nãodeixam de ser os nossos. É, pois, dessa perspectiva dialógica que pretendemos nos aproximar do pensamento sartreano. De saída, é preciso dizer que, ao tratar do fenômeno humano em O ser e o nada, Sartre enfrenta uma problemática que entrelaça as análises husserlianas e heideggerianas com as questões existenciais: a negação, a má-fé, a facticidade, a temporalidade, o problema do outro (com a famosaquestão do olhar do outro, que coisifica ou nadifica), a questão do corpo, e, por fim, a questão central que culmina na liberdade (ter, fazer e ser). Nos limites deste trabalho, porém, vamos nos ater aos aspectos introdutórios da obra, tais como passamos a delimitar.

A ontologia (estudo ou conhecimento do ser) nos apresenta a questão fundamental da filosofia: o Ser. O fenômeno em-si, istoé, a aparição, aquilo que se manifesta, não se opõe ao ser. A consciência, por sua vez, se mostra totalmente vazia de conteúdo, pois a mesma não mantém identificação consigo mesma. O seu objeto está fora no mundo. Por conseguinte, o sujeito do conhecimento, especialmente o sujeito cartesiano, será profundamente questionado por Sartre, naquilo que se estabeleceu como condição do conhecimento do ser.Ao abalar as estruturas, as condições de possibilidade do conhecimento, a partir do ato intencional da consciência formulado por Husserl: “toda consciência é consciência de alguma coisa” (apud SARTRE, 2007, p. 22), Sartre abrirá caminho para uma nova interpretação da realidade humana. Assim, o homem deixa de ser somente sujeito do conhecimento, uma vez que a consciência tem o seu...
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