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Consumo nocivo de álcool: dados epidemiológicos mundiais
James C. Anthony

Introdução A cada ano, cerca de 2 bilhões de pessoas consomem bebidas alcoólicas, o que corresponde a aproximadamente 40% (ou 2 em cada 5) da população mundial acima de 15 anos. Em grande parte, as experiências com os compostos psicoativos provenientes das bebidas alcoólicas provém do consumo de produtos comerciais,como verificado nos registros oficiais de cada país (p. ex., arrecadação de impostos). Ainda assim, há um consumo considerável de produtos alcoólicos não-comerciais, como “vinho de palmeira”, “bebidas caseiras” e “chicha”, que também são levados em conta nas estimativas globais do consumo de álcool. Focando-se nas conseqüências nocivas, a cada ano, estima-se que morrem 2 a 2,5 milhões de pessoasdevido ao uso de álcool (p. ex., intoxicações agudas, cirrose hepática induzida pelo álcool, violência e colisões de automóveis). A proporção entre os dois (2 bilhões de consumidores; 2 a 2,5 milhões de mortes atribuídas ao álcool) indica que a cada ano as conseqüências nocivas do álcool são responsáveis por, aproximadamente, 1,2 morte atribuível ao álcool para cada 1.000 consumidores –aproximadamente

Álcool e suas conseqüências: uma abordagem multiconceitual

6% de todas as mortes entre homens (consumidores e não-consumidores somados) e 1% entre as mulheres. Mundialmente, o custo anual estimado do consumo nocivo em cada ano se encontra entre 0,6% até 2% do PIB global (aproximadamente, US$ 210.000.000 até US$ 665.000.000). Esses custos estão distribuídos, de forma não-aleatória, pelospaíses do mundo, freqüentemente acompanhando o consumo per capita de álcool, como mostrado na Figura 1 (criada para esse capítulo utilizando o software de mapeamento STATA e estimativas que podem ser obtidas do Statistical Information Systems Online Databases, uma ferramenta muito útil, disponibilizada pela Organização Mundial de Saúde – OMS –, que serviu de fonte para muitas estatísticasapresentadas neste capítulo1). Como a Figura 1 mostra, com base em estatísticas da OMS para o ano de 2003, os países mais escuros incluem Hungria, Irlanda, Luxemburgo e a República da Moldávia, todos com consumo de álcool per capita registrado acima de 13 litros de etanol puro para habitantes acima de 15 anos. No outro extremo estão países como Afeganistão, Líbia, Mauritânia e Paquistão, onde os valoresbaixíssimos para o consumo per capita (abaixo de 0,5 litro) provavelmente não levam em conta o “mercado negro” e o “mercado cinza” para o consumo de álcool. Ainda assim,

Etanol (per capita)
[0,.001] (.001,3] (3,5] (5,7] (7,9] (9,11] sem dados

Figura 1

Estimativas para consumo de etanol puro per capita para a população de cada país, com idade de 15 anos ou superior. (Ver figura em cores noCaderno Colorido).

Fonte: adaptado de WHOSIS1, utilizando o software STATA: http://www.who.int/whosis/.

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Consumo nocivo de álcool: dados epidemiológicos mundiais

em países qualificados como “repúblicas islâmicas”, grande parte das populações respeitam a tradicional abstinência ao álcool dos costumes islâmicos. Valores medianos são encontrados em países como EUA e Brasil, com valoresper capita de 8 a 9 litros e 5 a 6 litros, respectivamente. Essas estatísticas da OMS permitem uma introdução a dados mundiais do consumo nocivo de álcool de forma que, dentro de certos limites, as taxas e níveis dos danos relacionados ao álcool tendem a acompanhar os padrões de consumo per capita. Padrões globais de consumo de álcool desse tipo e as conseqüências nocivas do beber se apóiam em umahistória extremamente longa da familiaridade humana com essa forma particular de uso de droga psicoativa. Os primeiros indícios do consumo humano de bebidas alcoólicas que continham etanol podem ser encontrados em vasos Paleolíticos e há evidências sobre o aproveitamento humano dessas bebidas há cerca de quatro milênios. Em todas as aparições, o escopo do consumo do álcool na história antiga é...
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