Salim

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Salim Miguel veio do Líbano para o Brasil em 1924, aos três anos de idade. Viveu até 1943 em Biguaçu, quando se mudou com a família para Florianópolis. É em Florianópolis que começa a sua militância junto aos meios literários, publicando em 1947 os seus primeiros trabalhos e criando, juntamente com outros jovens inquietos de sua época, o pequeno jornal Cicuta, que, como sugere o nome, tinha porobjetivo mexer criticamente com a cidade. Sobre este mexer criticamente, Salim nos conta que “o presidente da Assembléia Legislativa da época se chamava Estivalet Pires e então nós cunhamos a seguinte frase: “Este valete nunca chegará a rei”.

Ainda em 1947 participa do Círculo de Arte Moderna, grupo que tornar-se-ia conhecido como Grupo Sul. Neste mesmo ano conhece a escritora Eglê Malheiros,com quem produz para o teatro a primeira obra dramática de Sartre exibida no Brasil. Com os recursos arrecadados no espetáculo, Salim Miguel produz a Revista Sul, que edita durante 10 anos, de 1948 a 1958. Ainda em 1948, por ação direta do Grupo Sul, é feita a exposição de arte moderna, exposição que mais tarde redundaria na criação do Museu de Arte de Santa Catarina. Sobre a exposição, Salim fazum comentário que resume a essência do eterno conflito entre a apreciação estética da arte e a visão provinciana, utilitarista e referencialista que teima em escravizá-la. Conta-nos Salim: “Na mostra havia um quadro do Iberê Camargo e um [certo] pecuarista de Lages foi encontrando defeitos anatômicos no boi do Iberê” (40).

Em 1950, durante viagem ao Rio de Janeiro, Salim Miguel, entrevista opoeta Carlos Drummond de Andrade, para o jornal O Estado. Vejam o que diz Eglê Malheiros, sua eterna amiga e companheira do infinito deles dois sobre este feito: “O Salim conseguiu o que, na época, era considerado impossível: entrevistar o Drumond”. Nesta mesma viagem, Salim encontra-se com os principais expoentes da literatura brasileira: Jorge Amado, Graciliano Ramos, José Lins do Rego e outros. DeGraciliano Ramos aceitaria um conselho que, a julgar pela sua prolífica produção literária, jamais esqueceria. Ao ser perguntado por Graciliano Ramos o que fazia, Salim respondeu: “Tento alguns contos”, a que Graciliano retrucou: “Não tente, faça”.

E Salim Miguel fez. A sua carreira literária, podemos assim dizer, tem o seu início efetivo em 1951, com a publicação de seu primeiro livro decontos Velhice e outros contos. A este livro se seguiriam mais vinte outros livros:

Alguma gente (histórias) 1953; Rede (romance) 1954; O primeiro rosto (contos) 1973; A morte do tenente e outras mortes (contos) 1979; A voz submersa (romance) 1984; Dez contos escolhidos 1985; O Castelo de Frankenstein (anotações sobre autores e livros) 1986; A vida breve de Sezefredo das Neves, poeta (romance)1987; As areias do tempo (contos) 1988; O Castelo de Frankenstein (vol. II) 1990; As várias faces (novela em três atos) 1991; O Castelo de Frankenstein vol III 1991; 1o de abril, memórias da cadeia (reflexão sobre a sua prisão durante os anos da ditadura) 1994; As desquitadas de Florianópolis (contos) 1995; Onze de Biguaçu mais um (volume de contos) 1997; Variações sobre o livro 1998; As Confissõesprematuras (novela) 1998; Nur na Escuridão (romance) 1999; Apontamentos sobre o meu escrever 2000; Eu e as corruíras (crônicas) 2001;

Além de sua atuação no Grupo Sul, da extensa produção literária, das inúmeras coletâneas de que participou, das revistas literárias que criou, dos eventos culturais que promoveu e de atividades editoriais que realizou, merecem ainda destaque na obra de Salim Miguel(a) a sua atuação no cinema e (b) a sua atuação no meio jornalístico. No cinema Salim Miguel

Roteiriza, com Eglê Malheiros, O Preço da Ilusão, primeiro longa-metragem realizado em Santa Catarina 1957;

Organiza, em 1962, o I Festival de Cinema Novo Brasileiro;

Adapta A Cartomante de Machado de Assis para o Cinema - 1978;

Adapta e roteiriza para o cinema o romance Fogo Morto de José...
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