Sacha motka

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  • Publicado : 20 de fevereiro de 2013
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Tentava descobrir porque meu celular não computava mais créditos promocionais. Entrei naquela loja de esquina, parei na entrada e observei a mais perfeita desordem em cadenciado andamento. Não havia balcões, mas terminais de computadores e funcionários uniformizados atendiam o cliente ali mesmo. Falei com o primeiro que passou pela minha frente e ele respondeu prontamente que o valor da recargamensal mínima havia mais do que duplicado. Ainda assim o atendente tentou me persuadir de que a vantagem era toda minha, já que as outras operadoras eram ainda piores. Naquele momento encostou um sujeito à minha direita, esperando por atendimento. Quando se tocou que não seria atendido prontamente fechou a cara e cruzou os braços, expressando impaciência. Ato contínuo, à minha esquerda surge umagarota, uma das funcionárias uniformizadas. Uma garota brasileira. Corpo quase perfeito, quero dizer ligeiramente acima do peso. Cabelos crespos, presos para trás. A pele revelava hábitos de alimentação irregulares e de baixo orçamento. Sorriu um sorriso largo, de dentes quase perfeitos. Sexualmente falando, a garota prometia. O que eu não entendi foi o motivo dela estar ali. Quando notei que estavaentre três pessoas estranhas e uma delas de cara fechada, agradeci e dei o fora.


Quando ganhei a calçada desliguei o celular, joguei no bolso e não pensei mais no assunto. Bem à minha frente havia uma enorme banca de jornal e eu não sabia se devia desviar pela esquerda ou pela direita. Então, parei na vitrine da banca que estava bem à minha frente e fiquei olhando as capas dasrevistas. Guitarras, automóveis e mulheres seminuas. Montanhas azuis, ao fundo um céu de deixar você de cara. Naquele momento me toquei que eu não sabia exatamente para onde ia, mas lembrei que precisava ir para casa. Contornei a banca e dei de cara com um carrinho da limpeza urbana. No volante outra morena de sorriso cordial. Parecia atenta ao volante, e deve ser muito eficiente para pilotar aqueleveículo no meio de tanta gente.


Parei na beira da calçada, em frente ao semáforo, e fiquei esperando pelo verde. Um grupo de pessoas parou ao meu redor, alguns bem próximos a mim. Tanto, que eu podia sentir seu cheiro. Cansei de esperar o verde e escapei por uma fresta. Segui pela mesma calçada e quando cheguei ao próximo semáforo ele estava verde. Atravessei a avenida como quem atravessa umrio poluído e no outro lado senti um aroma forte de café. A rua fervilhava de gente, automóveis disputavam cada centímetro de asfalto. Havia grande movimento e no entanto o mundo parecia estático, como se coisa alguma mudasse e tudo não passasse de um sonho.


Notei ao longe que o espaço deixado entre dois prédios permitia ver um aglomerado de nuvens que ocultava o sol. Tirei os óculosescuros e senti o impacto da luminosidade. Imaginei as ruas por onde eu andava vistas do alto, da altura daquelas nuvens, e imaginei que ao longe, além daquelas montanhas, o mar quebra na areia e uma gaivota mergulha decidida, apanha um peixe com seu longo bico e ganha de novo os ares. Quando voltei, notei que estava dois paços além da calçada, sobre a faixa de pedestres. Atrás de mim a calçadalotada de gente. Dei dois passos atrás e uma garota gentilmente abriu espaço. Subi na calçada e parei ao lado dela. Querendo agradecer notei que ela usava fones nos ouvidos, mas ela retirou um dos fones enquanto sorria. Por um momento fiquei quase mudo. A garota tinha os lábios mais lindos que os meus já beijaram.


- Obrigado, você salvou minha vida.
- Adoro homens que tendem para oexagero.
- E eu adoro garotas com medidas exatas.
- Você é rápido nas suas sacadas.
- Garotas como você são a melhor fonte de inspiração que um homem pode ter.
- Mal nos conhecemos!
- Meu nome é Alexander. Qual o seu?
- Sacha. Sacha Motka.
- Sacha Motka. Russo?
- Ucraniano. Mas é um nome comum também na Rússia. Conhece os russos?
-...
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