Saber cuidar - leonardo boff

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  • Publicado : 28 de maio de 2012
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INTRODUÇÃO
Com uma abordagem bastante clara e densa, Saber Cuidar, de Leonardo Boff, trás a temática do Cuidado. Em seu livro ele fala, inicialmente, sobre a falta de cuidado – tanto interpessoal quanto na relação homem/natureza - na nossa civilização, sobre como tentamos remediá-la (de forma, na maioria das vezes, equivocada) e por fim indica um caminho certo para sanar os descuidos que vêmdegradando nosso planeta como um todo.
Boff coloca ainda, com muita propriedade, as ressonâncias, as concretizações e as patologias do Cuidado. Ele destrincha cada um desses pontos e faz o leitor refletir a respeito das relações com o outro, com a Terra e consigo mesmo. O livro faz também várias referências às dimensões materiais e imateriais relacionadas ao Cuidado e o Cuidar dos oprimidos, dospobres, da sustentabilidade do planeta e do nosso espírito. Mas o saber cuidar não está nas formas individualizadas do ser, e sim na coletividade, pois é uma atitude (não um ato) que abrange todo campo do desenvolvimento afetivo com o outro.
Boff coloca em voga que o Cuidado é a essência do homem e que sem ele é impossível a existência do ser humano e expõe figuras exemplares de Cuidado, comoJesus, Mahatma Gandhi, Francisco de Assis, dentre outros. Assim, Saber Cuidar é uma leitura intrigante que nos faz refletir o quanto temos contribuído no Cuidar do mundo.

O mal-estar da civilização, constatado há tempos pelos estudiosos, aparece sob a forma de descuido, descaso, abandono.
São vários os exemplos a serem citados quando se fala dessa falta de cuidado. O trabalho infantil e asemiescravidão a que são submetidas milhares de crianças; o abandono dos miseráveis, famintos; os marginalizados, excluídos do processo de produção; o desleixo com a solidariedade, com os ideais de dignidade e liberdade; a permissividade com a corrupção e a ausência de escrúpulos na esfera pública; há um descuido com a manutenção do ecossistema. São todos esses exemplos de males, doenças crônicas vividaspela nossa sociedade atual, que mesmo munida de alta tecnologia, parece regredir (em determinados aspectos) aos estágios mais primórdios da desordem e barbárie.
A partir desta falta de cuidado e da quantidade de males que cercam a humanidade, há uma parcela da população que se rebela contra, e acredita poder mudar. A questão é que geralmente não se vai em busca da cura destes problemas coletivos,são dados paliativos para os sintomas desse mal-estar civilizacional e espera-se que a crise seja sanada. Assim, muitos acreditam que o abandono da religião seja a causa dos problemas. Ela até pode revitalizar o sentimento sacro e assegurar seu espaço socialmente, mas apenas a religiosidade não promove na população um modo mais solidário ou compassivo e por este motivo, a religião não pode sertomada como causa das enfermidades sociais. Outros acreditam que, para resolver a crise atual, a manutenção da moral seria suficiente. Mas se apenas a moral for reestruturada, sem que haja uma nova definição do ser humano e de sua missão no mundo, de nada vai adiantar, pois a moral acaba se transformando em mero moralismo vazio. Outro grupo acredita ainda que a valorização da educação encerraria comesta problemática. O fato é que todas as sugestões são válidas, mas também partilham do mesmo defeito: nenhuma delas vai ao cerne da questão essencial. São apenas paliativos, como já dito anteriormente.
Para uma interpretação mais profunda e um diagnóstico mais completo dos descuidos em nossa sociedade, é necessária a avaliação de todas as propostas curadoras sem que seja tomada por base apenasuma única diretriz. A multiplicidade dos pontos de vista enriquece a causa e torna mais difícil a tendenciosidade. A compreensão de que não há um sujeito histórico único e que as mudanças na nossa civilização serão trilhadas pela coletividade, já é um grande passo para a melhoria.
A partir desta ótica conjunta, é natural que a compaixão pelos sofridos, o encantamento pela mãe-natureza e a...
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