Rostos da infância

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A infância na província mineira

Nas primeiras décadas do século XIX, o Brasil sofreu profundas mudanças sociais e políticas. Com a independência e a coroação de Dom Pedro II deu-se início a tendência liberal. O processo de institucionalização da escola elementar sofreu devido à tensão social e política nesse período, marcada pela precariedade. A população podre era considerada uma ameaça aestabilidade do governo, acreditava-se que dando instrução à população podre, era um meio de torná-la submissa as leis.

A educação da infância da província mineira de 1820 a 1850 era voltada para a população pobre, acreditando-se que elas possuíam faculdades mentais e morais inferiores, assim necessitando serem educadas pela escola a fim de reparar sua formação. Escolarizar a população pobre elivre, espalhada pelo território nacional, implicaria a produção e afirmação da escola como instituição de formação das novas gerações.

O artigo 12 da lei provincial, número 13, de 1835, delimita a idade escolar de 8 a 12 anos para os meninos e nada estabelecia quanto à instrução das meninas, ficando os pais encarregados de encaminharem os filhos a instrução sob pena de multa. A análise dos mapastrimestrais de freqüência mostra que era normal a presença de crianças de cinco ou seis anos, e raro de 15 anos em sala de aula, a presença de crianças com idade inferior mostra que, devido muitos estarem no trabalho e não na escola, os professores recebiam as crianças menores por ainda não estarem comprometidas com o mundo adulto de trabalho. A educação das meninas se diferencia das dos meninospelo seu conteúdo e duração dos estudos e por estabelecimentos separados.

As meninas, além do elementar, tinham uma formação voltada para serviços do lar, sendo elas 10% do total de meninos. O número de escolas para meninas era insuficiente, muitas eram matriculadas nas escolas de meninos e separadas em sala de aula por uma cortina. Nos relatórios dos delegados de ensino, constam dados sociais,destacando a pobreza, onde pais não podiam alimentar e vestir seus filhos para irem à escola.

O projeto de escolarização era europeu, adotado o curso de escola para professores do Barão de Gerando, que era defensor da extensão da escola para as classes inferiores, e diferenciava crianças e adultos por inteligência infantil, ainda de pouco desenvolvimento. Os meninos pobres de classetrabalhadoras eram visto como negativos de uma infância modelo, baseada na elite para Locke e Barão De Gerando era a fase em que o caráter deveria ser formado, eram as tábuas rasas. O professor era responsável pelas qualidades morais e racionais, cuidando e protegendo a infância, ao professor cabe formar a infância do homem. A escolarização reforçava o movimento de construção e afirmação da educação escolar,dando condições restritas. Educando, porém estabelecendo limites, preparar essa infância para um adulto de trabalho e ofícios socialmente desvalorizados.

O "Curso normal para professores de primeiras letras" do Barão de Gérando (1839).

As escolas elementares

A escola era atribuída às funções de instruir e educar as camadas mais pobres, segundo Gerando, dar aos pobres apenas a educaçãoelementar, não sendo de utilidade o ensino para quem está destinado ao trabalho, e não dar acesso ao conhecimento aos pobres poderia incitá-los as desordens sociais. A educação moral era considerada a principal na educação, deveria ser dada sem limites por considerarem as famílias incompetentes para fornecer aos filhos. Aos professores era exigidos atestados de batismo, e de boa conduta, a doutrinacatólica era associada a valores civis, além do catequismo religioso.

Consciência moral e a criança

A partir do século XIX, é o período que a pedagogia passa por transformações, dotada de competência cientifica e com conteúdo específico. Firmou-se em trazer uma ética, uma razão; tirando algumas crenças, tradições, portanto era uma adaptação para a nova forma de ensino. Pedagogos,...
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