Romantismo

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  • Publicado : 6 de março de 2013
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Romantismo- Casimiro de Abreu

O Poema Amor e Medo de Casimiro de Abreu foi trabalhado nas aulas de Literatura sobre o Romantismo( segunda fase).
Quando eu te fujo e me desvio cauto Da luz de fogo que te cerca, oh! bela, Contigo dizes, suspirando amores: ” Meu Deus! que gelo, que frieza aquela!” Como te enganas! meu amor é chama Que se alimenta no voraz segredo, E se te fujo é que te adoro louco…És bela eu moço; tens amor eu medo!…

O contra ponto fogo/gelo, quente/frio irá s eguir por todo o poema. O ri tmo aqui é fri o. A bela é quente, é calor, “s us pira amores”. O moço, responsável, “se desvia cauto”, e responde a ela no poema, ca lmamente, ainda ra cional. “Meu a mor é chama, que s e alimenta no voraz segredo”. O tom em que ele fala isso é argumentativo. Aqui , ele a i nda tentamostrar que não é bem assim, que ela está enganada, e faz isso com palavras, apenas.

Tenho medo de mim, de ti, de tudo, Da luz da sombra, do silêncio ou vozes, Das folhas secas, do chorar das fontes, Das horas longas a correr velozes. O véu da noite me atormenta em dores, A luz da aurora me intumesce os seios, E ao vento fresco do cair das tardes Eu me estremeço de cruéis receios. É que esse ventoque na várzea ao longe, Do colmo o fumo caprichoso ondeia, Soprando um dia tornaria incêndio A chama viva que teu riso ateia! Ai! se abrasado crepitasse o cedro, Cedendo ao raio que a tormenta envia, Diz: que seria da plantinha humilde Que à sombra dele tão feliz crescia? A labareda que se enrosca ao tronco Torrara a planta qual queimara o galho, E a pobre nunca reviver pudera, Chovesse emborapaternal orvalho!

Note-se a qui a seqüência de materialização da natureza. Pa ra quem vive assustado, prisioneiro do medo causado pel a bela, tudo lhe parece “assustador”. O s ilêncio e as vozes. As folhas secas, e as fontes que choram – ou s eja, molham. O véu da noite e a l uz da aurora. Cl aro/escuro. Luz/trevas. Vento/fumo. Quente/frio. A “bela”, pura e vi rgem, sempre i dealizada, que nuncapode s er tocada. E o “moço”, de ca ráter, que tem medo do que possa a contecer s e ele ceder a o a mor demonstra a s ensualidade no poema. O ri s o da bela ateia um fogo, uma pequena chama, que está sob controle. Mas há o vento que sopra e pode tornar es sa chama i ncêndio. E então, ”s e abrasado crepitasse o cedro, cedendo a o raio que a tormenta envia, diz: que s eria da plantinha humilde que àsombra dele tão feliz crescia?”. Se o moço cede à chama da paixão, que seria da meni na humilde que ainda não fl oresceu, e está à s ua sombra? Então, a l abareda se enrosca a o tronco, torra a pl a nta-bela qual queimara o galho-moço. E a chama daquela paixão, que já queimou um, agora torra a outra, “enros cando” um ao outro, de maneira tal que a “pobre” ja mais poderia reviver. Ai nda que o“paternal orvalho choves se”. Nã o i mporta o quanto se chorasse depois do fogo ter feito s ua parte. Agora , o cl aro/escuro da primeira parte dá lugar a i magens mais s ensuais. O ri tmo dos versos acelera, como acelera o cora çã o do poeta.

Ai! se eu te visse no calor da sesta, A mão tremente no calor das tuas, Amarrotado o teu vestido branco, Soltos cabelos nas espáduas nuas!… Ai! se eu te visse,Madalena pura, Sobre o veludo reclinada a meio, Olhos cerrados na volúpia doce, Os braços frouxos palpitante o seio!… Ai! se eu te visse em languidez sublime, Na face as rosas virginais do pejo, Trêmula a fala a protestar baixinho… Vermelha a boca, soluçando um beijo!… Diz: que seria da pureza d’anjo, Das vestes alvas, do cantor das asas?

O ves ti do, obviamente branco, amarrotado, os cabelos soltos, os ombros desnudos. Sinais da paixão. O vel udo, ma ci o, os olhos s emicerrados, o seio palpitante, a face rosada… E i maginando tudo isso, o medo do poeta. Resistir, como?

Tu te queimaras, a pisar descalça, Criança louca, sobre um chão de brasas! No fogo vivo eu me abrasara inteiro! Ébrio e sedento na fugaz vertigem Vil, machucara com meu dedo impuro As pobres flores da grinalda virgem!...
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