Romantismo alvares de azevedo

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Uma análise Crítica do livro Noite na Taverna.

Álvares de azevedo

Manuel Antonio Álvares de Azevedo nasceu em São Paulo a 12 de setembro de 1831, filho do então estudante de Direito Inácio Manuel Álvares de Azevedo e de Maria Luisa Mota Azevedo, ambos de famílias ilustres. Segundo afirmação de alguns de seus biógrafos, teria nascido na sala da biblioteca da Faculdade de Direito de SãoPaulo; averiguou-se, porém, ter sido na casa do avô materno, Severo Mota. Escritor e poeta romântico, foi em tudo coerente com as opções estéticas do Romantismo: foi genial, culto, precoce e construiu uma obra pequena, porém clássica, dentro da Língua Portuguesa, morrendo, provavelmente, de complicações da tuberculose, aos vinte e um anos incompletos.


A noite na Taverna

Noite na Taverna é umacoletânea de narrativas construída em sete partes. Traz epígrafes e usa os nomes de cada um dos narradores como subtítulos, antecedendo as histórias. Constitui a mais original produção em prosa de Álvares de Azevedo e insere-se perfeitamente no clima romântico byroniano, refletindo também as influências deixadas no autor pela leitura das novelas mórbidas do século XIX. Os capítulos de Noite naTaverna são Uma Noite do Século, Solfieri, Bertram, Gennaro, Claudius Hermann, Johann e Último Beijo de Amor.


Uma noite do Século

Uma espécie de introdução apresentando o ambiente da taverna, a roda de bebedeira e de devassidão em que se encontram os personagens e o tom notívago e vampiresco em que se desenrolarão os fatos narrados.

Bertram, Archibald, Solfieri, Johann, Arnold e os outroscompanheiros estão na taverna, dialogando sobre loucuras noturnas, enquanto as mulheres dormem ébria sobre as mesas. Falam das noites passadas em embriaguez e pura orgia. Solfieri os questiona a respeito da imortalidade da alma, e parece não crer nela. Por isso, Archibald o censura pelo materialismo. Solfieri acredita na libertinagem, na bebida e na mulher sobre o colo do amado. Os homens só sevoltam para Deus quando estão próximos da morte. Deus é, pois, a “utopia do bem absoluto”.

Silêncio, moço! Acabai com essas cantilenas horríveis! Não vedes que as mulheres dormem ébrias, macilentas como defuntos? Não sentis que o sono da embriaguez pesa negro naquelas pálpebras onde a beleza sigilou os olhares da volúpia?

Cala-te, Johann! Enquanto as mulheres dormem e Arnold - o loiro -cambaleia e adormece murmurando as canções de orgia de Tieck, que música mais bela que o alarido da saturnal? Quando as nuvens correm negras no céu como um bando de corvos errantes, e a lua desmaia sobre a alvura de uma beleza que dorme, que melhor noite que a passada ao reflexo das taças?

És um louco, Bertram? Não é a lua que lá vai macilenta: é o relâmpago que passa e ri de escárnio às agonias dopovo que morrem aos soluços que seguem as mortualhas do cólera.

As primeiras páginas deixam antever o clima da geração do mal do século, a irreverência incontida, a tendência às divagações literário-filosóficas, a vivência sôfrega e, principalmente,a morbidez e a lascívia.

Estás ébrio, Johann! O ateísmo é a insânia como o idealismo místico de Schelling, o panteísmo de Spinoza - o judeu, e ohisterismo crente de Malebranche nos seus sonhos da visão de Deus. A verdadeira filosofia é o epicurismo. Hume bem o disse: o fim do homem é o prazer. Daí vede que é o elemento sensível uem domina.E pois, ergamo-nos, nós que amarelecemos nas noites desbotadas de estudo insano, e vimos que a ciência é falsa e esquiva, que ela mente e embriaga como um beijo de mulher.

A vivência que o escritordemonstra é mais cultural que real, daí buscar constantemente o reforço nas idéias de filósofos e literatos, reflexo do impacto de suas diversas leituras.


Solfieri

Relata uma viagem a Roma, a “cidade do fanatismo e da perdição, onde na alcova do sacerdote dorme a gosto a amásia, no leito da vendida se pendura o crucifixo lívido”. Certa noite, Solfieri vê um vulto de mulher. Segue-a até um...
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