Rituais de comensalidade da idade do bronze final na península ibérica -os caldeirões de rebites e metais usados nos banquetes

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  • Publicado : 11 de dezembro de 2012
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Introdução: os rituais de comensalidade e as relações de poder social
O tema do trabalho é os Rituais de Comensalidade na Idade do Bronze na P. Ibérica, e o subtema que será tratado com mais pormenor é o caso dos caldeirões de rebites e os metais associados á prática de preparação dos alimentos e de exibição nos banquetes.
Antes de mais, acho pertinente fazer uma abordagem mais geral dofenómeno da comensalidade.
O termo “comensalidade” deriva do latim “commensale”, isto é aquele que come e bebe reunido com outros, num contexto especial distinto do quotidiano. Embora o consumo de alimentos e bebida seja uma necessidade essencial á sobrevivência biológica do ser humano, o seu significado vai muito além. A comensalidade é uma forma particular de ritual em que a manipulação da comida e dabebida constituem um meio de expressão simbólica. De facto, a união de eventos sociais especiais junto com o consumo comensal de comida e bebida constitui um âmbito muito propício para o controlo das relações sociais. Nesse contexto, a comensalidade desempenha um papel proeminente na estruturação de hierarquias sociais, na negociação do poder e identidade, e na promoção de complexos símbolos emetáforas. Ainda que a preparação de comida normalmente seja associada ao sexo feminino, certamente que no contexto competitivo dos banquetes e da acumulação do poder politico e prestigio, ocorreu a passagem do controlo feminino para as mãos do homem.
O ritual acaba por ser um mecanismo de adaptação natural visto que na criação e manutenção das várias formas de dominação, o desenvolvimento ritual éfundamental para estabelecer a ideologia dominante em torno da figura do chefe e limitar assim o reconhecimento da sua arbitrariedade e a percepção de alternativas. Por conseguinte, quem controla o ritual possui o meio para
impor a sua visão da ordem social protegendo-a de outros modos de pensamento.
Repare-se que os rituais ou símbolos mais convincentes são aqueles que não são abertamentepolíticos embora se misture intensas experiências pessoais de identidade com as estruturas de poder, como se pode ver na utilização de um evento traumático como a morte que no desenvolvimento destas praticas sociais.
O homem também se servia da dança, teatro, trajes e maquiagens exóticas, do uso de substâncias narcóticas para acentuar as experiencias simbólicas do passado.
No registo arqueológico estaspráticas, devido a sua natureza, habitualmente geram importantes acumulações de resíduos nos lugares onde se celebram e nos recipientes de preparação, dependendo do tipo de comensalidade desenvolvido. Destaca-se a análise de restos faunísticos e vegetais como as plantas psicoactivas e o contexto ou padrão de deposição. As características formais, decorativas e contextuais dos conjuntos cerâmicosassim como as análises dos seus conteúdos foram frequentemente utilizadas como indicadores de comensalidade. Igualmente se usou a aparição de construções e materiais especializados nestas práticas rituais. Finalmente os textos escritos e as representações pictóricas também supõe importantes evidencias.
Por fim, tratarei do caso dos caldeirões e do seu importantíssimo papel nos rituais decomensalidade, traduzidos em banquetes no Bronze Final.
Os caldeirões de rebites e os banquetes do bronze atlântico
O Bronze final é datado nos finais do II milénio e inícios do I milénio a.C. Alguns marcos desta época são a interacção e troca de produtos sobretudo metal, entre as comunidades peninsulares e “correntes” de cariz atlântica, continental e mediterrânica, a consolidação da hierarquiasocial,o desenvolvimento de uma estrutura social centralizada, com lideranças competitivas e instáveis, o estabelecimento de redes de alianças, etc.
Um dos objectos mais representativos da problemática dos banquetes ou festins, das comunidades do Bronze Final da peninsula Ibérica é o caldeirão de rebites. Estes caldeirões são considerados testemunhos do consumo ritual de carne no âmbito dos festins...
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