Rio, 40 graus, os fuzis, e o cinema novo

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  • Publicado : 2 de fevereiro de 2013
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Rio, 40 Graus, Os Fuzis, e o Cinema Novo


Na década de 1950, o cinema brasileiro feito no esquema industrial acaba aos poucos perdendo sua força, em resultado temos o fim da Vera Cruz. No paralelo a essa situação, porém contrastando com as produções industriais, com grande quantidade de capital e equipamentos modernos, temos por exemplo: Alex Viany, e Nelson Pereira dos Santos, fazendoum cinema de uma câmera na mão e uma ideia na cabeça (pouco tempo depois, lema do Cinema Novo, frase apropriada por Glauber Rocha, que era de Paulo Cesar Saraceni), onde o baixo orçamento era um dos aspectos das produções.
Mas é com o filme de Nelson Pereira, responsável por roteiro e direção, que é dado o pontapé inicial para o cinema moderno. Com uma quantidade de pessoal inferior àsgrandes produções, equipamentos cedidos, negativos vencidos e em pouca quantidade, ele consegue terminar Rio, 40 Graus. Tendo no elenco entre outros, o já falecido Jece Valadão que acompanha o diretor mais tarde em Rio Zona Norte (Valadão teve como um dos seus últimos trabalhos, o longa mineiro 5 frações de uma quase história). O filme de Nelson é basicamente a câmera seguindo os meninos que descem omorro, e a história se divide neste momento em outras diversas pequenas tramas e também dando uma visão de documentário da cidade do Rio de Janeiro.
O cinema novo começa brotando também daí, e cria raízes na Cidade Maravilhosa e também pelo Nordeste, mas principalmente na Bahia, com Glauber Rocha. Essa fase marca o repúdio de muitos diretores da época pelo cinema hollywoodiano e seu happy endinge também o apreço e inspiração no neorrealismo italiano – Movimento surgido em 1945, marcado pelo período pós Segunda Guerra, considerando a abertura do movimento pelo clássico de Roberto Rosselini, com título original de Roma Città Aperta e no Brasil foi chamado de Roma, cidade aberta.
Em 1962, são reconhecidos nacionalmente e premiados filmes como 5 vezes favela (com diretores como CacáDiegues na produção) e de Anselmo Duarte, com o ganhador da Palma de Ouro no festival de Cannes, O Pagador de Promessas.
Dentre muitos também tivemos Ruy Guerra, que deixou a Europa, voltou para o Brasil e produziu o longa Os Cafajestes também em 1962, e teve grande reconhecimento. Em 1963, Guerra faz Os Fuzis, ambientado em uma pequena cidade do interior do nordeste, que é lançado no anoseguinte, 1964, já em uma conjuntura política diferente do seu primeiro trabalho. Os Fuzis faz parte da primeira fase do Cinema Novo, onde pode ser percebido um foco muito intenso na questão do rural. O trabalho conta com a presença, no elenco, de Átila Iório como Gaúcho, e Nelson Xavier como Mário. O drama conta a história de soldados que são enviados para uma cidadezinha do Nordeste para evitaremos saques motivados pela fome que atinge o local.
Tanto Rio quanto o longa de 1964, citado anteriormente, trazem à tona o tema da pobreza, mas não de forma similar. A diferença é que a produção de Nelson Pereira dos Santos e equipe se ambienta na cidade do Rio de Janeiro, onde os meninos negros e pobres descem o morro para ganharem uns trocados vendendo amendoins em cenários bem típicos dacidade como: Quinta da Boa Vista, Maracanã, Copacabana e Pão de Açúcar; enquanto Ruy Guerra, em seu longa, mostra o sofrimento na região do sertão nordestino, como uma grande seca. Uma realidade, que por mais que tenha alguma semelhança em certos pontos, não pode ser taxada como parecida, justamente pela distância de tempo, lugar e proposta do diretor.
A fotografia de ambos os filmes éhonrosa, porém o ambientado na parte mais acima do mapa brasileiro tem qualidade superior, até mesmo pela precariedade de Rio com seus equipamentos na hora da filmagem. O de Nelson dos Santos foi fotografado por Hélio Silva e o de Guerra por Ricardo Aronovich. E nos dois longas foram usadas películas preto e brancas tendo sido filmadas em maior parte, ao ar livre, em externa. (Rio, 40 Graus só teve...
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