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IAMAMOTO, Marilda Villela. Serviço Social em tempo de capital fetiche: capital financeiro, trabalho e questão social. – 2ª ed. - São Paulo: Cortez, 2008. Pg. 105-208.

CAPITULO II
Capital fetiche, questão social e Serviço Social

O propósito deste capítulo é estabelecer balizas que permitem delinear novas determinações que incidem no capital financeiro no atual contexto damundialização da economia tendo em vista salientar as determinações históricas que redimensionam a Questão social na cena contemporânea e suas particularidades no Brasil.
A nova estruturação econômica mundial no após a Guerra Fria e no alvorecer do século XXI, sob a hegemonia dó império norte-americano sofre profundas mudanças na sua conformação. A mundialização da sociedade global é acionadapelos grandes grupos industriais transnacionais articulados ao mundo das finanças. O que é obscurecido nessa dinâmica, é o universo do trabalho que cria riquezas para outros, experimentando a radicalização dos processos de exploração e expropriação. Essas novas condições históricas metamorfoseiam a questão social.


1. Mundialização da economia, capital financeiro e questão social

Amundialização da economia esta ancorada nos grupos industriais transnacionais, resultantes do processo de fusões e aquisições de empresas em um contexto de desregulamentação e liberalização da economia. As empresas industriais associam-se às instituições financeiras (bancos, companhia de seguro, fundos de pensão, sociedades financeiras de investimento coletivo e fundos mútuos) com suporte dosEstados Nacionais.
Os investidores financeiros institucionais, por meio das operações realizadas no mercado financeiro, tornam-se, na sombra, proprietários acionários das empresas transnacionais e passam a atuar independentemente delas.
Como lembra Husson (1999;99), o processo de financeirização indica um modo de estruturação da economia mundial cujo o discurso da “economia decassino” é prisioneiro do fetiche das finanças, como se fosse possível frutificar uma
massa de rendimentos independente da produção direta.
A esfera das finanças, por si mesma, nada cria. Nutre-se da riqueza criada pelo investimento capitalista produtivo e pela mobilização da força de trabalho no seu âmbito, ainda que apareça de uma forma fetichizada. Nessa esfera, o capital aparece comose fosse capaz de criar “ovos de ouro”, isto é, como se o capital-dinheiro tivesse poder de gerar mais dinheiro no circuito fechado das finanças, independente da retenção que faz dos lucros e dos salários criados na produção. O fetichismo das finanças só é operante se existe produção de riqueza, ainda que as finanças minem seus alicerces ao absorverem parte substancial do valor produzido.O triunfo dos mercados é inconcebível sem a ativa intervenção das instâncias políticas dos Estados Nacionais, no lastro dos tratados internacionais como o Consenso de Washington, o tratado de Marrakech, que cria a organização Mundial do Comércio e o Acordo do Livre Comércio Americano (ALCA), e o Tratado de Maastricht, que cria a “unificação” europeia. Isto é, estabelece o quadro jurídico epolítico da liberalização e da privatização. O espaço mundial se torna espaço do capital.
Para Ianni (2004b), há um redesenhamento do mapa do mundo. Ele desafia a compreensão da chamada sociedade global. Nela se confrontam o neoliberalismo, o nazifacismo e o neo-socialismo.
Em um mercado mundial realmente unificado, impulsiona-se a tendência à homogeneização dos circuitos do capital,dos modos de dominação ideológica e dos objetos de consumo – por meio da tecnologia e da multimídia. Homogeneização está apoiada na mais completa heterogeneidade e desigualdade das economias nacionais. A transferência de riqueza entre classes e categorias sociais e entre países está na raiz do aumento do desemprego crônico, da precariedade das relações de trabalho, das exigências de contenção...
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