Resumo

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE - FURG INSTITUTO DE LETRAS E ARTES LÍNGUA PORTUGUESA IV Prof.ª Dr.ª MARIA CRISTINA FREITAS BRISOLARA

ANÁLISE LINGUÍSTICA DE PIADAS As piadas, segundo Possenti (1998:27)1, podem ser tomadas como objetos de análise:
Em primeiro lugar, do ponto de vista estritamente lingüístico, as piadas interessam como peças textuais que exibem com bastante clareza um domínioda língua de alguma forma complexo (e as piadas mostram que todos os são).(...) É possível tentar classificar piadas com base no nível, ou melhor, no mecanismo lingüístico que é posto em causa de maneira central... (... as piadas em geral acionam mais de um mecanismo simultaneamente). Poder-se-ia falar de piadas fonológicas, morfológicas, sintáticas, etc.

Para compreendermos qualquer piada, énecessário que nos movamos, de certa forma, no texto, uma vez que as piadas operam com ambiguidades, sentidos indiretos, implícitos. Cabe ao leitor de textos de humor fazer operações epilinguísticas: mobilizar conhecimentos sobre a língua; sobre o comportamento linguístico que se espera de um sujeito, em determinada situação; sobre o contexto em que se produziu o texto. Assim, é preciso queativemos conhecimentos prévios, que saibamos estabelecer relações entre elementos de diferentes campos semânticos, que sejamos capazes de estabelecer relações entre elementos dêiticos, ou seja, entre formas linguísticas cuja referência só pode ser determinada pelo contexto. Possenti (op. cit.) afirma que, como em qualquer texto, os elementos presentes nos textos de humor são ingredientes importantes,pois são eles que demandam e limitam a atividade do leitor. O exame de textos humorísticos mostra um novo ângulo de análise textual. Ao analista cabe explicar “como” e não o “porquê” do humor, ou seja, ele tentará explicar não o que as piadas significam, mas como funcionam, descrevendo as chaves linguísticas, os mecanismos que desencadeiam o riso. Se o leitor/ouvinte não entender uma piada, issopode-se dever a conhecimentos não partilhados entre quem conta e quem ouve ou lê. Pode-se também justificar pela falta de conhecimentos lingüísticos do receptor. O jogo lingüístico interage com o conhecimento de mundo. A proposta da disciplina é de que analisemos alguns textos humorísticos, a fim de que possamos depreender os mecanismos linguísticos envolvidos na produção do humor, nunca perdendo devista o fato de que o humor opera em níveis simultâneos.

1

Possenti, Sírio. Os humores da língua. Análises lingüisticas de piadas. Campinas, SP: Mercado de Letras:1998.

TEXTOS ANALISADOS

1. Uma pessoa divertia-se, no seu quarto, no 9º andar de um edifício. Dava uma cuspida da janela e atirava-se na cama, dava uma cuspida da janela e atirava-se na cama, dava uma cuspida da janela eatirava-se na cama. Houve um momento em que ela deu uma cuspida na cama. Nesta piada rimos do que não foi dito. A segunda frase pressupõe uma frase não dita, uma oração que apenas se deixa entrever e que o ouvinte/leitor deduz. A repetição insistente de duas orações (assindética e sindética aditiva, no processo de coordenação) acostuma a percepção auditiva do ouvinte (ou visual do leitor) de talforma que o leva a preencher, automaticamente, o que não é dito. Porém, ao fazê-lo, desordena a sintaxe da frase. O efeito cômico situa-se, justamente, na inversão sintática que se propicia, considerando o que o narrador da piada admite sem dizer. Mobilizam-se, assim, mecanismos sintáticos e semânticos. 2. Numa festa, o secretário do presidente fila um cigarro. O presidente comenta: – Não sabia quevocê fumava. – Eu fumo, mas não trago. Pois devia trazer. O humor, nesta piada, constrói-se a partir da coincidência entre duas formas verbais que provêm de verbos distintos: tragar e trazer. A forma verbal "trago", presente do indicativo, provém do verbo regular "tragar", que faz parte do mesmo campo semântico de fumar e de cigarro. O presidente, porém, compreende "trago" como presente do verbo...
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