Resumo

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  • Publicado : 8 de março de 2012
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NATUREZA E CULTURA

É impossível sobrepor, no homem, uma primeira camada de comportamentos que chamaríamos de “naturais" e um mundo cultural ou espiritual fabricado. No homem, tudo é natural e tudo é fabricado, como se quiser, no sentido em que não há uma só palavra, uma só conduta que não deva algo ao ser simplesmente biológico - e que ao mesmo tempo não se furte à simplicidade da vida animalMaurice Merleau-Ponty
Introdução
Com freqüência as pessoas se envolvem em discussões a respeito das diferenças entre o ser humano e o animal. Às vezes, por se surpreenderam com o comportamento animal que se assemelha ao humano - e por isso se divertem tanto com os macacos -, outras vezes por aproximarem atos humanos ao comportamento de animais. As histórias infantis também antropo¬morfizamos bichos, que agem como gente, ou criam situações em que seres humanos, por castigo, se degradam em animais. Tornou-se um clássico da literatura juvenil o livro Tarzan, o filho das selvas, do norte-americano Edgar Rice Burroughs, que serviu de inspiração para inú¬meros filmes e revistas de quadrinhos. Como todos sabem, Tarzan é um bebê humano que sobrevive na selva e é "criado" entre os bichos.Outros relatos semelhantes são contados como fatos reais, embora sem comprovação cientifica da antropologia contemporânea. Assim, é o caso das duas meninas encontradas na Índia em 1920 que teriam crescido entre os lobos, vivendo, portanto, como animais. Essas crianças não possuíam quaisquer das características humanas: não choravam, não riam e, sobretudo, não falavam. O seu processo de humanizaçãosó se teria iniciado ao participarem do convívio humano.
Um fato notável, porém, ocorreu nos Estados Unidos com Helen Keller (1880-1968), nas¬cida cega e surda. Permaneceu como um animal até a idade de sete anos, quando seus pais contrataram a professora Anne Sullivan, que, a partir do sentido do tato, conseguiu conduzi-Ia ao mundo humano das significações. Helen aprendeu então a falar, a ler e aescrever, tendo se tornado uma conhecida escritora e conferencista.
Esses relatos nos propõem uma pergunta inicial: quais são as diferenças entre o ser humano e o animal?

1. A ação instintiva
Os animais que se situam nos níveis mais baixos da escala zoológica de desenvolvimento, como, por exemplo, as aranhas, agem sobretudo por reflexos e instintos. A ação instintiva é regida por leisbiológicas, idênticas na espécie e invariáveis de indivíduo para indivíduo. Essa rigidez dá a ilusão de perfeição, pois o animal, especia¬lizado em determinados atos, os executa com extrema habilidade. Não há quem não tenha ainda observado com atenção e pasmo o "tra¬balho" paciente da aranha tecendo a teia.Todavia, esses atos animais não têm história, não se renovam e permanecem os mesmos ao longo dotempo, salvo no que se refere às modifica¬ções determinadas pela evolução das espécies e às decorrentes de mutações genéticas. Mas, ainda que ocorram essas alterações, elas continuam valendo para todos os indivíduos da espécie, passando a ser transmitidas hereditariamente.
O psicólogo Paul Guillaume I explica que um ato inato às vezes não surge logo no início da vida, podendo aparecer apenas maistarde, no decorrer do desenvolvimento. Por exemplo, an¬dorinhas novas, incapazes de voar até certa ida¬de, realizam o primeiro vôo sem grande hesitação; gatinhos não esboçam qualquer reação di¬ante de um rato, mas após o segundo mês de vida apresentam reações típicas da espécie, como perseguição, captura, brincadeira com a presa, ronco, matança etc.
Os atos instintivos são "cegos", ou seja, osanimais ignoram a finalidade da própria ação. A vespa "fabrica" a célula onde deposita o ovo junto ao qual coloca aranhas, para que a larva, ao nas¬cer, encontre alimento suficiente. Se retirarmos as aranhas e o ovo, mesmo assim o inseto conti¬nuará realizando todas as operações, terminan¬do pelo fechamento adequado da célula, ainda que vazia. Esse comportamento é "cego" por¬que não leva em conta o...
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